segunda-feira, 2 de novembro de 2026
Economia

Snapchat faz acordo com jovens em processo sobre saúde mental

Empresa evitou depoimento do CEO Evan Spiegel após fechar acerto em tribunal da Califórnia

Snap faz acordo com adolescentes em caso sobre depressão e transtornos alimentares

A Snap Inc., desenvolvedora do Snapchat, encerrou um processo judicial movido por dois adolescentes que acusavam o aplicativo de incentivar o vício e provocar transtornos mentais, como depressão, ansiedade e distúrbios alimentares. O acerto foi anunciado nesta segunda-feira pelos advogados dos autores, pegando o setor de tecnologia de surpresa logo após o início da escolha dos jurados em Los Angeles.

Histórico de processos e acordos anteriores

A disputa representava o segundo julgamento em tribunais estaduais da Califórnia envolvendo jovens que relataram dependência severa de mídias sociais. Antes de fechar com a dona do Snapchat, os demandantes já haviam pacificado os litígios com a Meta, o TikTok e o YouTube, pertencente à Alphabet.

Os advogados que representam uma das jovens envolvidas comentaram sobre o desfecho do caso por meio de uma nota oficial.

“Nosso objetivo final é responsabilizar essas empresas de redes sociais pelo impacto que suas ações causaram a milhões de crianças em todo o país, e esses acordos nos permitem continuar avançando em direção a esse objetivo”, afirmaram John Morgan e Emily Jeffcott, advogados que representam K.D.B. no julgamento, em um comunicado.

Impacto e depoimento evitado

Com a resolução, a empresa evitou o que seria o seu primeiro embate em um julgamento de grande proporção sobre os efeitos de suas ferramentas na juventude, situação que exigiria inclusive o testemunho do diretor executivo Evan Spiegel.

O processo foi iniciado por duas jovens: uma adolescente de 16 anos oriunda de Illinois e outra de 18 anos do Mississippi. Ambas relataram ter tido contato precoce com plataformas digitais, começando aos 3 anos de idade no YouTube e por volta dos 9 anos nos demais aplicativos, desenvolvendo quadros de uso compulsivo associados a recursos como reprodução automática e rolagem infinita.

Crise de saúde mental infantil

Defesa das plataformas de tecnologia

Do outro lado, as companhias responsáveis pelas redes sociais negam categoricamente que seus sistemas tenham sido estruturados para gerar dependência nos usuários mais jovens. Elas argumentam que implementaram ferramentas de proteção para assegurar ambientes digitais seguros e propícios à expressão livre dos adolescentes.

O ecossistema tecnológico enfrenta atualmente milhares de processos judiciais nos Estados Unidos, movidos tanto por pessoas físicas quanto por distritos escolares e governos locais. Os reclamantes sustentam que as corporações priorizaram o engajamento em detrimento do bem-estar, alimentando uma crise nacional de saúde mental.

O primeiro caso a passar por todas as etapas de julgamento, concluído em março, terminou com a condenação da Meta e do YouTube por negligência, resultando em uma indenização de US$ 6 milhões a uma jovem. Paralelamente, acordos bilionários vêm sendo costurados em tribunais norte-americanos para mitigar os danos atribuídos ao uso excessivo dessas plataformas.

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