segunda-feira, 2 de novembro de 2026
Economia

Como um e-mail de Natal deu origem a uma fintech de US$ 2 bi

Fundador transformou barreiras do sistema bancário tradicional em um modelo de infraestrutura financeira sob demanda.

Como um e-mail para Lemann no Natal virou uma gigante avaliada em US$ 2 bi

No dia de Natal de 2017, o empresário Pedro Mac Dowell enviou uma mensagem a Jorge Paulo Lemann para detalhar um novo projeto empresarial. A proposta combinava o modelo da divisão de tecnologia da Amazon com a agilidade de uma fintech americana de pagamentos. Esse contato marcou o início da trajetória da QI Tech, atualmente avaliada em cerca de US$ 2 bilhões.

A relação com Lemann e a transição

O destinatário da mensagem era o bilionário brasileiro conhecido por sua participação na construção da Ambev e na aquisição do Burger King. A proximidade entre ambos vinha de longa data, desde a adolescência de Mac Dowell, quando ele treinava para se tornar tenista profissional e recorria ao veterano para buscar orientações sobre sua carreira.

Na época do envio da mensagem, o empreendedor buscava uma nova guarnição profissional. Embora administrasse uma gestora de investimentos com R$ 2,5 bilhões de clientes, ele identificou uma lacuna e uma oportunidade muito maior nos serviços que precisava contratar diretamente dos bancos tradicionais.

Serviços financeiros para empresas não bancárias

Enquanto comandava a Quatá Investimentos, Mac Dowell gerenciava recursos para financiar companhias, mas enfrentava barreiras operacionais para formalizar as operações. As instituições financeiras tradicionais mantinham estruturas rígidas desenhadas exclusivamente para o uso interno.

“Porque o banco não foi feito para que eu usasse o sistema dele para poder montar uma operação para o meu fundo”, explica, em entrevista a Mariana Amaro, no Do Zero ao Topo, do InfoMoney.

A solução encontrada foi fornecer essa infraestrutura pronta para terceiros. O suporte de Lemann resultou em uma conexão com André Street, cofundador da Stone, cujos diálogos ajudaram a moldar o projeto que daria origem à nova companhia com um aporte inicial de R$ 3 milhões.

Os primeiros passos e desafios burocráticos

A autorização oficial do Banco Central chegou no final de 2018, tornando a empresa a primeira sociedade de crédito direto da nova modalidade. No entanto, o enquadramento fiscal inicial gerou impasses operacionais complexos.

“Para cada TED que a gente mandava, na teoria eu tinha que emitir uma nota, porque oficialmente eu estava prestando um serviço. Falei: cara, ferrou”, lembra.

Após resolver as pendências com a Receita e órgãos estaduais, a empresa conquistou seus primeiros clientes entre bancos e gestoras que enfrentavam as mesmas dificuldades anteriores do fundador. O modelo evoluiu para atender marcas como Vivo e Wellhub, com projeções de faturamento bilionário para os próximos anos.

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