O Ibovespa opera em forte baixa de 3% nesta quarta-feira, rondando os 171 mil pontos, pressionado por um ambiente macroeconômico desafiador e pela repercussão de balanços corporativos no Brasil e no exterior. Paralelamente, o dólar comercial avança a R$ 5,36, enquanto os juros futuros operam mistos ao longo da curva.
Desempenho dos grandes bancos e varejo
As ações dos grandes bancos registram perdas expressivas, com destaque para o Santander Brasil (SANB11), que despenca cerca de 5% após a divulgação de seus resultados trimestrais. O banco reportou lucro líquido gerencial recorrente de R$ 2,89 bilhões no terceiro trimestre, uma retração de 28% na comparação anual. O presidente-executivo do Santander Brasil, Gilson Finkelsztain, afirmou nesta quarta-feira que o banco trabalhará para melhorar a rentabilidade, diante de um cenário macroeconômico ainda desafiador, marcado por nível elevado de juros.
“O banco já avançou na direção de uma carteira com clientes de melhor qualidade e de uma relação melhor, mais equilibrada entre risco, retorno e uso de capital. Esse movimento permanece como parte central da nossa estratégia”, afirmou o executivo em videoconferência com analistas sobre o balanço divulgado mais cedo, a primeira desde que tomou posse como CEO em julho.
“Principalidade, transacionalidade e melhoria da composição do balanço permanecem como pilares da estratégia do banco. O próximo passo, obviamente, é converter essa base em uma recuperação gradual e sustentável da rentabilidade, com muita consistência na execução”, acrescentou.
O setor de varejo também aprofunda as perdas no pregão, intensificando a pressão vendedora sobre o índice acionário brasileiro.
Reforma tributária e cenário fiscal
No front fiscal e regulatório, o Tribunal de Contas da União (TCU) entrou no radar dos investidores após a proposta de uma alíquota de referência de 11,3% para a CBS em 2027, patamar superior ao inicialmente projetado pelo governo. A discussão ocorre em meio a temores crescentes sobre a trajetória das contas públicas e a inflação, com o IPCA+ voltando a encostar em 8%.
Expectativa internacional
Enquanto o mercado doméstico digere os ajustes pós-eleição e as incertezas políticas, os investidores globais voltam as atenções para a decisão de política monetária do Federal Reserve (Fed), prevista para esta tarde nos Estados Unidos, além da temporada de resultados das gigantes de tecnologia em Wall Street.



