quinta-feira, 29 de outubro de 2026
Economia

Ações da klabin despencam 6% na bolsa apesar de lucro acima das previsões no 3T

Analistas apontam alta nos custos operacionais e pressões inflacionárias como os principais motivos para a desvalorização dos papéis

Klabin (KLBN11) cai 6% apesar de lucro acima do esperado no 3T; o que desagradou?

A fabricante de papel e celulose Klabin (KLBN11) encerrou o terceiro trimestre de 2026 com um lucro líquido de R$ 393 milhões, superando o consenso IBES, que previa R$ 329,5 milhões. Contudo, os papéis da companhia registraram queda de 6% no pregão desta quarta-feira (28), sendo negociados a R$ 17,56.

Desempenho financeiro e visão do itaú bba

O Itaú BBA, em relatório assinado pelo analista Daniel Sasson, apontou que o EBITDA ajustado da empresa atingiu cerca de R$ 1,86 bilhão no período, resultado em linha com as projeções do banco, mas 2% inferior ao trimestre anterior. Vale destacar que essa base de comparação exclui R$ 64 milhões obtidos com a venda de terrenos no segundo trimestre, montante não repetido entre julho e setembro. Diante do cenário, o banco manteve recomendação neutra e estipulou preço-alvo de R$ 21.

Pressão nos custos e alerta da xp investimentos

Para a XP Investimentos, o balanço veio ligeiramente abaixo das expectativas do mercado. Os analistas Lucas Laghi, Guilherme Nippes e Fernanda Urbano destacaram como ponto negativo o avanço de 8% no custo caixa consolidado frente ao trimestre anterior, alcançando R$ 3,5 mil por tonelada. Esse patamar foi influenciado pelos preparativos para o El Niño.

Com o indicador acumulado nos primeiros nove meses de 2026 ligeiramente acima do teto da projeção corporativa, os especialistas alertam para a necessidade de monitorar de perto a evolução dos gastos e o impacto na geração de fluxo de caixa livre. Uma eventual desvalorização do real frente ao cenário macroeconômico atual pode trazer algum alívio. A prioridade dos investidores nos próximos meses deve continuar voltada para a desalavancagem e o controle de despesas, especialmente se houver arrefecimento da demanda interna.

Divisão de celulose versus papel e embalagens

O JPMorgan avaliou que a divisão de Papel e Embalagens ficou aquém das estimativas, pressionada por despesas com fibras e logística para mitigar os efeitos do El Niño, elevação dos custos fixos decorrente da parada de manutenção na unidade de Otacílio Costa e inflação de insumos industriais, como produtos químicos e combustíveis, agravada por conflitos geopolíticos.

Em contrapartida, o segmento de Celulose apresentou desempenho superior ao esperado pelo JPMorgan, com EBITDA 8,2% acima da projeção, impulsionado por volumes e preços robustos. Pelos cálculos da instituição, o fluxo de caixa livre ficou negativo em R$ 1 milhão devido a investimentos, despesas financeiras e capital de giro. O banco reiterou recomendação neutra com preço-alvo de R$ 19.

Já o Goldman Sachs pontuou que a realização de preços foi o principal destaque positivo, com destaque para a celulose fluff, negociada US$ 30 por tonelada acima da estimativa do banco e com diferencial de US$ 380 por tonelada frente à fibra curta da companhia. No setor de papel, o kraftliner avançou 7% nos preços em relação ao trimestre anterior, acompanhado por melhora no papel-cartão revestido. O Goldman manteve recomendação neutra e fixou preço-alvo em R$ 18,50.

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