quinta-feira, 29 de outubro de 2026
Economia

Tesouro Direto tem forte alta nas taxas e IPCA+ encosta em 8%

Incertezas sobre o cenário fiscal e o cenário externo pressionam a rentabilidade dos títulos públicos brasileiros

Taxas do Tesouro aceleram alta e IPCA+ volta a encostar em 8% em meio a temor fiscal

As taxas de rentabilidade dos títulos do Tesouro Direto registraram forte aceleração ao longo da quarta-feira (28), com avanço generalizado na maioria dos prazos de vencimento. O destaque ficou com o Tesouro Prefixado com Juros Semestrais 2037, que saltou de 14,86% para 15,08% ao ano, representando uma alta de 22 pontos-base. Enquanto a abertura do dia concentrava as variações positivas nos papéis de curto prazo, o movimento ganhou força e se espalhou para os vencimentos longos durante a manhã.

Inflação e prefixados disparam no mercado

Entre os ativos atrelados à inflação, o Tesouro IPCA+ 2032 apresentou a maior elevação na taxa real, passando de 7,78% para 7,97%, o que faz o indicador voltar a encostar na marca de 8%. Já o Tesouro Prefixado 2032 subiu 21 pontos-base, indo de 15,06% para 15,27%. Os demais papéis do Tesouro IPCA+ registraram altas modestas de até 5 pontos-base, com o vencimento em 2050 estabilizado em 7,18%.

Incerteza fiscal e tombo na bolsa

A escalada nas taxas ocorre em um cenário de forte retração na Bolsa de Valores. O Ibovespa despencava 2,78%, situando-se aos 170.828 pontos na metade do dia. Analistas apontam que a cautela dos investidores está atrelada à indefinição sobre o pacote de ajuste fiscal e à montagem da equipe econômica do quarto mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). “O mercado continua buscando sinais mais claros sobre um ajuste fiscal crível”, afirma Otávio Araújo, consultor sênior da ZERO Markets Brasil.

Fatores políticos e o cenário internacional

No âmbito governamental, circulam expectativas de que a administração federal estude a recriação da cobrança de IOF sobre instrumentos financeiros antes isentos, a exemplo de LCI, LCA, CRI, CRA e debêntures incentivadas. Paralelamente, o noticiário político foi movimentado pela viagem do senador Flávio Bolsonaro (PL) a Miami, nos Estados Unidos, a bordo de um jato particular. A partida ocorreu apesar de ordem expedida pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinando a retenção de seus passaportes no âmbito de investigações sobre suposta lavagem de dinheiro e evasão de divisas. A defesa nega irregularidades e classificou a decisão de Moraes como intimidação.

Fora do país, a pressão sobre os títulos da dívida americana, os Treasuries, também impacta os negócios, enquanto o mercado aguarda a decisão do Federal Reserve (Fed) sobre a taxa de juros básica dos Estados Unidos. A projeção majoritária aponta para a manutenção dos juros na faixa de 3,75% a 4,00% ao ano, enquanto os contratos do petróleo Brent operam em alta de 1,27%, cotados a US$ 115,33 o barril.

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