A trajetória de Carolina Belarmino, de 31 anos, mudou drasticamente após uma viagem para o exterior que durou muito mais do que o planejado. Nascida em São José do Rio Preto, ela morava no Jardim Conceição e trabalhava com decoração de casamentos até que a chegada da Covid-19 cancelou todos os seus contratos. Decidida a investir na profissão, ela embarcou para a Inglaterra com o objetivo de fazer um curso de um mês na London Flower School e aprimorar suas técnicas para quando o mercado brasileiro reabrisse.
O início em Londres e a reviravolta na pandemia
O que seria uma temporada breve se transformou em uma estadia permanente quando o Reino Unido colocou o Brasil na lista vermelha de restrições de viagens. Em vez de retornar em poucas semanas, ela passou 13 meses longe do país. Para se sustentar, atuou como florista auxiliar e freelancer na capital britânica. “Eu nunca tive o plano de me mudar para Londres. Eu era uma decoradora de casamentos e amava minha profissão”, conta.
A adaptação exigiu paciência diante do rigor do inverno europeu e da saudade da família, mantida principalmente por videochamadas. A rotina mudou de vez quando a retomada dos eventos gerou escassez de profissionais estrangeiros no setor de entretenimento. Por meio de uma indicação de última hora, ela conseguiu uma chance em um set de filmagem misterioso, que depois descobriu ser a famosa série de época da Netflix.
Trabalho nos sets de Hollywood e transição para a atuação
Na produção da plataforma de streaming, ela começou executando projetos florais da direção de arte e rapidamente evoluiu para standby florist, acompanhando as gravações de perto para ajustar arranjos em cenas complexas, como os tradicionais bailes da alta sociedade britânica. A experiência nos bastidores despertou uma paixão inesperada pelo audiovisual. “Foi minha primeira vez em um set de filmagem e acabei me apaixonando por tudo. Principalmente em uma produção tão gigante quanto ‘Bridgerton’. É incrível ver a quantidade de pessoas que trabalham com excelência para que o projeto tenha sucesso. É muita gente para o figurino, a decoração, câmera, iluminação, tudo, e cada papel, mesmo que pequeno, é fundamental”, afirma.
Inspirada pelo ambiente de trabalho, a brasileira se matriculou em uma escola de atuação e buscou oportunidades como figurante para entender a dinâmica das câmeras em outras grandes obras. Essa estratégia abriu portas para participações em “The Crown”, “House of the Dragon”, “My Lady Jane”, “Slow Horses” e “War”. Hoje, o foco de Carolina é totalmente artístico, atuando também como props dresser na organização de adereços de cena.
Projetos autorais e reconhecimento internacional
Além de atuar em grandes franquias globais, a artista passou a desenvolver produções independentes. Ela escreveu, produziu e protagonizou “DOMA”, um curta-metragem gravado no Brasil com direção do cineasta britânico Alex Igbanoi. O filme alcançou projeção internacional ao ser selecionado para o prestigiado Austin Film Festival, nos Estados Unidos, evento que conta com categorias qualificadoras para o Oscar.
“O objetivo é transformá-lo em um longa-metragem e continuar a contar essa história. E o plano como atriz é continuar encontrando projetos e histórias em que acredito para dar vida a novas personagens. Meu foco principal hoje é a atuação e busco estar no set sempre. Também continuo participando de aulas, workshops e festivais de cinema”, conclui.




