Receber a solicitação de exames de sangue ou urina após uma consulta médica é comum, mas o que muitos pacientes não sabem é que hábitos simples do cotidiano podem interferir diretamente nos laudos laboratoriais, gerando valores alterados que nem sempre indicam uma doença real.
A importância da padronização e do aviso prévio
Valores modificados podem surgir devido à alimentação, uso de suplementos, ingestão de álcool, prática de exercícios ou consumo de medicamentos. Por isso, relatar todas essas situações ao profissional de saúde é fundamental para garantir uma análise correta.
“Existem muitas coisas que podem alterar o resultado de um exame e às vezes não prestamos atenção. Vários procedimentos do nosso corpo e análises precisam ser feitos dentro de condições específicas para fornecer informações corretas”, explica o biomédico habilitado em Patologia Clínica e mestre em Ciências da Saúde Roberval Moraes, professor do IDOMED.
Cinco fatores que alteram exames laboratoriais
O jejum é um dos cuidados mais conhecidos, mas a sua exigência varia conforme o tipo de análise solicitada pelo médico.
“As análises precisam ser feitas dentro de um padrão específico para fornecer informações corretas. O jejum ajuda a padronizar essas condições. Quando nos alimentamos, podemos ter resultados diferentes, que podem mascarar uma doença ou até simular uma alteração que não existe”, explica Roberval.
Vitaminas, suplementos e medicamentos
Substâncias consumidas rotineiramente também entram na conta dos elementos que podem interferir nos testes de laboratório e na urina.
“Existem muitas coisas que podem alterar um resultado e às vezes não prestamos atenção. A vitamina C, por exemplo, pode interferir em parâmetros do exame de urina. Por isso é importante informar ao laboratório se fez uso de vitaminas ou de outros medicamentos”, orienta.
No caso de remédios de uso contínuo, a recomendação é clara: nunca suspenda um tratamento sem orientação profissional. A interrupção de medicamentos deve ocorrer exclusivamente sob supervisão médica.
“Como existem muitos exames e procedimentos diferentes, vários detalhes podem fazer diferença. O ideal é se informar com o médico que prescreveu e também com o laboratório onde será realizado o procedimento”, orienta Roberval.
Atividade física e consumo de álcool
Ir pedalando ou correndo até o posto de coleta gera estresse muscular, o que altera enzimas e proteínas ligadas ao metabolismo.
“Se a pessoa foi de bicicleta ou fez uma caminhada intensa até o laboratório, houve um estresse muscular. Dependendo do exame, é importante descansar antes da coleta porque alguns marcadores podem estar alterados pelo próprio esforço físico”, explica o professor.
Da mesma forma, as bebidas alcoólicas afetam processos orgânicos essenciais. “O álcool impacta vários processos do organismo e pode interferir nos resultados. É mais uma informação que precisa ser considerada antes da realização de determinados exames”, afirma Roberval.
Antes de qualquer procedimento, consulte o laboratório sobre as exigências e mantenha uma lista atualizada de refeições, remédios e suplementos. Ao receber o laudo, lembre-se de que a interpretação médica deve considerar o histórico clínico completo e os sintomas apresentados.
“O resultado de um exame não deve ser interpretado de forma isolada. Um valor alterado não significa, necessariamente, que o paciente tenha uma doença. O médico vai analisar aquele resultado junto com os sintomas, o histórico do paciente e as condições em que o exame foi realizado. Por isso, além de seguir corretamente as orientações para a coleta, é fundamental levar o resultado ao profissional que solicitou o exame para que ele faça essa interpretação”, orienta Roberval.



