quarta-feira, 4 de novembro de 2026
Franca

Reposição hormonal na menopausa: riscos, exames e benefícios

Entenda como a escolha dos hormônios, o histórico de saúde e a presença do útero influenciam a segurança da terapia.

Reposição hormonal na menopausa: fatores que devem ser avaliados antes do tratamento

A relação entre a reposição hormonal na menopausa e o risco de câncer de mama ainda gera dúvidas entre as mulheres. No entanto, o tratamento não apresenta os mesmos riscos para todas as pacientes, sendo influenciado por fatores como o tipo de hormônio, a duração da terapia, a idade de início e o histórico de saúde.

O impacto do estudo WHI e os tipos de hormônios

Essa diferença ficou ainda mais evidente com o acompanhamento de longo prazo do estudo Women’s Health Initiative (WHI), cujos resultados publicados na revista JAMA mudaram a visão médica sobre o tema. Os dados mostraram que, entre mulheres com útero, a combinação de estrogênio equino conjugado com acetato de medroxiprogesterona foi associada a uma maior incidência de câncer de mama. Por outro lado, mulheres sem útero que receberam apenas estrogênio apresentaram menor incidência da doença em comparação ao grupo placebo.

A via de administração também desempenha um papel importante. O estrogênio oral passa pelo fígado antes da circulação sistêmica, enquanto o estradiol transdérmico — via gel ou adesivo — evita essa primeira passagem hepática, oferecendo vantagens em relação ao risco de tromboembolismo venoso em casos específicos. Contudo, a ginecologista e mastologista Dra. Christine Alem, da Unicamp, alerta que isso não elimina os riscos gerais. “Os efeitos dependem de outros fatores, incluindo o esquema hormonal utilizado e as características individuais da mulher.” Explica a ginecologista.

Avaliação individual e histórico familiar

A presença ou ausência do útero define se o estrogênio precisa ser associado a um progestagênio para proteger o endométrio. Além disso, a presença de antecedentes familiares de câncer de mama não proíbe automaticamente o uso da terapia, exigindo uma análise detalhada do número de parentes afetados, da idade do diagnóstico e da genética. “O que precisamos entender é o risco individual daquela mulher”, explica a mastologista.

Contraindicações e cuidados específicos

Mulheres com histórico pessoal da doença formam um grupo que requer atenção redobrada. “Atualmente, a terapia hormonal sistêmica permanece contraindicada para mulheres com antecedente de câncer de mama, porque ainda não temos evidência suficiente de segurança para recomendar esse tratamento de forma geral”, afirma a médica. Outros fatores, como pressão alta, tabagismo, obesidade, diabetes e problemas cardiovasculares, também entram na balança médica.

Benefícios do tratamento e exames recomendados

Apesar dos cuidados necessários, a terapia oferece alívio importante para ondas de calor, suor noturno, alterações do sono e perda de massa óssea. Conforme aponta a especialista, mulheres saudáveis e com sintomas intensos podem ter uma relação favorável de risco-benefício, sobretudo ao iniciar antes dos 60 anos ou nos primeiros dez anos após a menopausa. “A terapia hormonal é hoje o tratamento mais eficaz para os sintomas vasomotores da menopausa e também apresenta benefícios importantes sobre a saúde óssea e os sintomas geniturinários”, afirma.

Antes de iniciar os hormônios, avalia-se a pressão, o peso, os hábitos e o perfil metabólico, mantendo o rastreamento das mamas sempre atualizado. “Não devemos tratar a menopausa como uma doença, mas também não devemos tratar o sofrimento da mulher como algo que ela simplesmente precisa suportar. Quando existe indicação, a terapia hormonal é uma opção terapêutica legítima, eficaz e baseada em evidências”, conclui a médica.

Escrito por

Deixe seu comentário