quarta-feira, 4 de novembro de 2026
Franca

Queda na mobilidade de cães e gatos exige atenção e cuidado

Especialistas explicam quando a dificuldade de movimento deixa de ser apenas sinal de velhice e passa a exigir tratamento veterinário.

Quando a idade pesa nas patas: o envelhecimento e a mobilidade de cães e gatos

O envelhecimento dos animais de estimação traz transformações visíveis na rotina, mas nem toda perda de agilidade deve ser tratada como algo natural ou inevitável. A cadela Drika, aos nove anos, já não consegue correr e saltar com a mesma facilidade de antes, o que obrigou sua tutora, a farmacêutica Larissa Dourado, de 28 anos, a encurtar os passeios e evitar brincadeiras de alto impacto.

Sinais de alerta no comportamento animal

A tutora relata a situação do animal: “Ela está com dificuldade de pular, porque gostava muito de brincar pulando, correndo. Então, hoje em dia, ela não faz mais tanto”. Dificuldades para subir em móveis, levantar após o descanso ou acompanhar os tutores podem indicar alterações na coluna, nas articulações ou em outras estruturas orgânicas.

O médico veterinário ortopedista Philipe Weber aponta que o envelhecimento costuma provocar modificações no líquido sinovial, encarregado da lubrificação das juntas, além de gerar perda de massa muscular, conhecida como sarcopenia. Com menos músculos para dar sustentação, as articulações sofrem maior sobrecarga, o que propicia processos inflamatórios e o surgimento de artrose.

Como identificar a dor em pets

Muitas vezes, os bichinhos não expressam o incômodo chorando ou mancando. Eles tendem a ficar mais recolhidos, abandonam o hábito de brincar, evitam caminhadas ou demonstram irritabilidade ao serem tocados. O especialista observa o comportamento dos pacientes: “Não querem mais caminhar ou não conseguem caminhar mais como antes, ficam para trás”.

Com a gata Zoe, de sete anos, a estudante de educação física Nicole Oliveira, 18, percebeu um aumento nos períodos de sono e o hábito de se esconder. Segundo a tutora, a felina busca refúgio embaixo da cama quando está incomodada. Nos felinos, a redução dos saltos e a menor interação social podem passar despercebidas se os tutores não conhecerem bem os hábitos cotidianos.

Fatores que agravam os problemas articulares

O médico veterinário ortopedista Leandro Pauli ressalta que a genética também influencia, já que condições como displasias podem atingir animais jovens, provando que as limitações físicas não dependem exclusivamente da idade avançada. O sobrepeso é outro agravante por sobrecarregar as juntas, enquanto o sedentarismo acelera a perda de musculatura.

Por outro lado, exercícios intensos sem o devido preparo físico podem causar lesões. “O animal precisa se movimentar, mas a atividade deve respeitar a idade, o condicionamento e as limitações de cada um”, pontua o ortopedista.

Adaptações práticas para o dia a dia

Para melhorar a qualidade de vida dos pets, pequenas mudanças em casa fazem diferença. O uso de tapetes antiderrapantes previne escorregões, rampas facilitam o acesso a locais mais altos e camas confortáveis ajudam no descanso. A fisioterapia também surge como uma alternativa importante para recuperar movimentos e aliviar o desconforto.

Os profissionais reforçam que os tutores nunca devem aguardar o animal parar de caminhar para procurar ajuda profissional. “Não devemos esperar o animal parar de andar para buscar ajuda. Uma mudança na maneira de caminhar já merece atenção, e arrastar as patas pode indicar também um problema neurológico”, adverte Leandro.

Escrito por

Deixe seu comentário