terça-feira, 3 de novembro de 2026
Franca

Golpe da biometria facial utiliza inteligência artificial e fotos

Empresas registraram milhões de rostos com restrições por tentativas de fraude no Brasil

Golpe da biometria usa fotos e IA para fraudar identidades; veja como se proteger

O sistema de reconhecimento facial, amplamente adotado por comércios, bancos e plataformas digitais para validar a identidade de clientes, tornou-se o novo alvo de criminosos especializados em fraudes no Brasil.

Estratégias e volume de ataques

Com o avanço da inteligência artificial, fraudadores passaram a empregar vídeos manipulados, fotografias e até pessoas parecidas com as vítimas para tentar burlar as travas de segurança. O intuito por trás dessas ações costuma ser a obtenção de crédito, a movimentação de dinheiro, a abertura de contas em nome alheio ou a aplicação de golpes financeiros. Além de tentar enganar os softwares diretamente, os criminosos também recorrem à engenharia social para convencer o próprio usuário a entregar imagens e dados confidenciais.

Dados de uma empresa de tecnologia apontam que mais de 3,6 milhões de rostos receberam restrições no país devido a tentativas de fraude. Entre os meses de maio e setembro, o monitoramento registrou a impressionante média de três ataques bloqueados por minuto em instituições financeiras, varejistas e outros setores.

Como os criminosos agem

Entre as táticas mais comuns está a coleta de imagens do rosto da vítima para uso em validações falsas. Imagens e gravações compartilhadas em redes sociais servem de matéria-prima para edições digitais amparadas por ferramentas tecnológicas. Outra modalidade frequente é o golpe do sósia, em que os infratores buscam indivíduos com traços físicos parecidos com os do titular da conta para tentar criar cadastros irregulares.

Também ocorrem abordagens diretas, nas quais o fraudador se passa por funcionário de uma companhia, representante de banco ou organizador de promoções para exigir uma selfie, um vídeo ou uma confirmação facial sob pretextos falsos. Em outubro, um grande banco emitiu alertas sobre abordagens em que prêmios eram promessas para arrancar imagens dos clientes.

O papel da inteligência artificial e a proteção de dados

A popularização de recursos tecnológicos facilitou a manipulação de sons e imagens por meio de técnicas de deepfake, permitindo imitar a voz e a aparência de pessoas reais. Esse cenário gera riscos adicionais para o cidadão comum, que pode receber solicitações urgentes de dinheiro enviadas supostamente por parentes ou conhecidos.

Medidas de segurança recomendadas

Especialistas em segurança digital aconselham adotar precauções para minimizar a exposição das informações pessoais:

Desconfie de pedidos de selfies, evite enviar fotos segurando documentos a desconhecidos e cheque sempre a identidade de quem faz o contato utilizando canais oficiais. Também é fundamental revisar a privacidade nas redes sociais, restringir a exposição do próprio rosto e checar as permissões de acesso à câmera e à galeria nos aplicativos do celular.

Outra orientação essencial é combinar a biometria com senhas, PINs ou autenticação em duas etapas, além de manter o pé atrás diante de mensagens urgentes sobre dinheiro. Por fim, vale lembrar que a tecnologia biométrica é um recurso relevante, mas não infalível, exigindo sempre cautela redobrada no ambiente digital.

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