Com uma trajetória de mais de 28 anos dedicada ao esporte, a fisioterapeuta Jackeline Figueiredo tornou-se uma das maiores autoridades na reabilitação e prevenção de lesões entre lutadores de elite. Em entrevista recente, a profissional relembrou sua entrada no universo da arte suave, que começou quase por acaso ao atender um membro da família Gracie.
O início no clã Gracie
A relação de Jackeline com o jiu-jítsu consolidou-se após um atendimento bem-sucedido a Royler Gracie. Na ocasião, o atleta enfrentava uma lesão grave que afetava sua performance. Sobre o episódio, ela recorda: “O Royler (Gracie) estava com uma lesão séria no cotovelo e perdeu os movimentos dos dois últimos dedos das mãos. Ele parou comigo, eu fiz a avaliação e consegui curá-lo rapidamente e ele voltou. Estava começando o mundial de jiu-jítsu e o ADCC. Eu não tinha entendido que, sem querer, eu entei na bolha dos Gracie. No momento em que eu entrei, não saí nunca mais”.
A fé como aliada na recuperação de Saulo Ribeiro
Um dos casos mais emblemáticos da carreira da fisioterapeuta envolveu o multicampeão Saulo Ribeiro. Diante de um diagnóstico médico desanimador para uma hérnia de disco, Jackeline decidiu unir a ciência à devoção. “Veio o Saulo Ribeiro, que foi um grande atleta de jiu-jítsu, com uma hérnia. Ele já campeão do ADCC, e aquele problema o maltratando. O levei para fazer o diagnóstico e o médico perguntou se ele tinha outra profissão, porque a vida dele como atleta tinha acabado. (…) quando saímos do consultório, ele me disse ‘dá um jeito nessa merda’. Eu disse que ia ajudar a curá-lo. Menina ainda, eu não me garantia tanto e resolvi fazer uma promessa. Fui para a Igreja de São Judas Tadeu e prometi que se curasse o Saulo, ia acender uma vela do tamanho dele. Consegui curar ele e acendi uma velinha para agradecer”, relatou.
Mudança na cultura de prevenção
Além de tratar lesões complexas, a especialista destaca a evolução da consciência dos atletas sobre a saúde física. Segundo ela, o cenário no início dos anos 2000 era bem mais precário, com lutadores focados exclusivamente nos treinos de alta intensidade.
Sobre essa mudança de mentalidade, Jackeline pontuou: “No jiu-jítsu era só treino. Muitas pessoas vinham de fora para disputarem o mundial e se machucavam antes mesmo de competir. Eu aprendi muito nesse período. A galera se quebrava demais porque não tinha essa questão da fisioterapia (como ferramenta de prevenção). Hoje me dia está bem melhor”.




