quinta-feira, 5 de novembro de 2026
Esportes

Chefe da Audi exalta maturidade de Bortoleto e guarda relíquia de Senna

Allan McNish relembrou seu primeiro teste na Fórmula 1 ao lado do ídolo brasileiro antes de avaliar o desempenho do jovem piloto da equipe.

Chefe da Audi guarda relíquia de Ayrton Senna e elogia maturidade de Bortoleto na F1

A Audi encara o GP de São Paulo como um momento decisivo em sua trajetória na Fórmula 1. Pela primeira vez competindo em Interlagos como uma equipe de fábrica, a escuderia foca no desempenho de seu piloto titular, Gabriel Bortoleto, que vive a expectativa de correr diante da torcida brasileira em um momento de ascensão do time no campeonato.

Evolução e compromisso na Audi

Após resultados consistentes em Singapura e no México, onde conquistou o oitavo lugar, o brasileiro tem sido alvo de elogios internos. Allan McNish, chefe da equipe, destacou que o planejamento para o piloto vai além das pistas. Segundo o dirigente, o jovem demonstrou uma curva de aprendizado acelerada desde o ano passado, integrando-se profundamente à rotina de desenvolvimento da escuderia.

McNish detalhou a postura do brasileiro: “Vi um grande desenvolvimento do Gabi desde o ano passado. Ele sabe que há um nível de responsabilidade diferente de ser um piloto da Audi, e não um da Sauber, e que isso exige uma maturidade maior. Ele não é um piloto que está apenas nos GPs. Está no simulador, na fábrica e trabalhando com o time como parte do crescimento do time. Nossa estratégia com ele sempre foi de longo prazo. Gabi está nos nossos planos desde que começou na F3, como um dos talentos que começamos a observar antes de formar a equipe atual (ainda como Sauber).”

Balanço da temporada de estreia

Apesar dos desafios naturais de um projeto que utiliza uma nova unidade de potência, o comando da equipe se mostra otimista com os passos dados até aqui. O foco segue sendo a busca por maior performance e confiabilidade técnica para as próximas etapas.

Sobre o momento atual, o dirigente afirmou: “Considerando que é o primeiro ano com uma nova unidade de potência, nossa temporada é muito boa. Mas nós nunca estamos satisfeitos, queremos ser bem melhores. Ficamos felizes com os resultados recentes, mas precisamos sempre trabalhar para melhorar a performance e a confiabilidade”.

A conexão histórica com Ayrton Senna

Além da atualidade da F1, McNish guarda uma memória afetiva valiosa de 1989, quando dividiu o box da McLaren com Ayrton Senna em Estoril. O dirigente preserva até hoje os registros em papel daquele teste, que evidenciavam a genialidade do tricampeão mundial.

“A primeira vez que eu andei em um carro da F1, ele estava no outro lado da garagem, dividindo o box da McLaren. Naquela época, você tinha alguns dados para seguir, como pedal de aceleração, pressão de freio e velocidade. Mas você não conseguia comparar tudo, então pegava dois pedaços de papel, colocava eles contra a luz e via a diferença nos traços. E eu ainda tenho esses papéis do teste com Senna guardados até hoje”, recordou.

Para McNish, a dualidade de Senna era o que o tornava único: “Senna era de uma forma na pista e de outra fora dela. Fora do circuito, era um grande ser humano. E muito, muito espiritualizado. Mas, quando estava na pista, era uma máquina. Havia algumas coisas que só ele podia fazer em um carro de corrida. Algo que você só olhava e não conseguia acreditar. Não conseguia acreditar como ele conseguia fazer coisas com aquele carro”.

O dirigente também relembrou o talento singular do brasileiro para extrair o máximo do carro já nas primeiras voltas: “Você via ele acelerar rápido naquelas primeiras curvas, jogava o carro e tinha uma aderência impressionante. E aí você via o tempo de corrida e pensava “caramba, de onde isso veio?”. Naquela época, você colocava um pneu de classificação, que durava uma volta, e você tinha um motor de classificação, que tinha significativamente mais potência para uma volta. E ele tinha a habilidade de encontrar essa velocidade e força na primeira saída, muito melhor do que qualquer outro. Outros levariam dois ou três voltas para ter o mesmo sentimento, mas ele tinha isso na primeira saída. E essa foi uma habilidade que eu acho que você pode até treinar, mas é coisa do talento natural dele”.

Escrito por

Deixe seu comentário