domingo, 25 de outubro de 2026
Esportes

Brasileiras superam câncer de mama e vencem no remo na França

Sobreviventes da doença integraram a delegação nacional no IBCPC Participatory Dragon Boat Festival, em Aix-les-Bains

De pacientes a atletas: brasileiras superam câncer de mama e brilham no remo na França

Um grupo de 12 mulheres do Ceará, integrantes da Associação Lua Rosa, viajou até Aix-les-Bains, na França, para representar o estado no IBCPC Participatory Dragon Boat Festival, evento que reúne sobreviventes do câncer de mama de vários países.

Tradição e superação no esporte

A modalidade utilizada na competição é o Dragon Boat, um barco decorado com cabeça e cauda de dragão que comporta 22 pessoas. A formação inclui 20 remadoras, uma responsável pelo ritmo no tambor e outra na direção.

Cyntia Tavares, remadora e manager da equipe Lua Rosa, explicou a origem médica dessa prática voltada para quem passou pela doença:

— Antes, no passado, não se recomendava fazer nenhuma atividade física com os braços depois que a mulher fazia mastectomia. Um médico canadense chamado Donald McKenzie começou uns estudos. E ele montou a primeira equipe do mundo (de Dragon Boat), que se chama Abreast in a Boat —

Desempenho brasileiro na França

O festival internacional, realizado pela quinta vez desde 2010, contou com participantes de 25 países. Para esta edição, a Lua Rosa uniu forças com 11 remadoras de Foz do Iguaçu e três de Maceió, criando o combinado Meninas Lua Flor.

A união rendeu pódios importantes: o terceiro lugar na bateria de 200 metros e a segunda colocação na prova de 1.000 metros.

— A gente começa a desmistificar um pouco essa coisa da performance. Com certeza, a competição é muito importante, porque faz com que a gente se cuide mais, treine, tenha mais disciplina na atividade física. Então, tem um lado muito importante da competição, mas não é tudo —, disse Cyntia.

Outras conquistas internacionais

O Brasil também foi representado por Cleusa Alonso, fundadora do movimento nacional Remadoras Rosa do Brasil e baterista da equipe Canomama, de Brasília. Para ela, a canoagem simboliza a transição de paciente para atleta, resgatando a autoestima e a força física.

— A integração entre as remadoras é a alma dessa jornada: no barco, a sincronia exige que todas remem no mesmo ritmo, traduzindo o princípio de que nenhuma mulher enfrenta a travessia sozinha —

Com um grupo competitivo formado por 25 mulheres entre 45 e 65 anos através do eixo Movimenta Lua, a equipe cearense já acumula experiência internacional. Em 2024, em Barcelona, o grupo faturou a medalha de ouro na categoria específica.

— Na categoria câncer de mama, a gente conseguiu trazer o ouro. Não era nossa pretensão, a gente achava que não era páreo, era o nosso primeiro festival internacional, mas conquistamos essa medalha para o Brasil. E essa equipe, como o barco eram de 12 pessoas, foi só daqui de Fortaleza —, concluiu Cyntia.

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