sexta-feira, 6 de novembro de 2026
Economia

Taxas do Tesouro Direto caem após IPCA-15 e clima eleitoral

Mercado ajusta posições no último pregão antes do segundo turno e repercute prévia da inflação abaixo das previsões.

Taxas do Tesouro Direto recuam após IPCA-15 abaixo do esperado e empate no Datafolha

As taxas dos títulos do Tesouro Direto abriram em baixa na maioria dos vencimentos nesta sexta-feira (23), registrando o último pregão antes do segundo turno das eleições, que acontece no domingo (25). Entre os papéis atrelados à inflação, o Tesouro IPCA+ 2050 recuou de IPCA + 6,51% no fechamento anterior para IPCA + 6,48%, acumulando uma queda semanal de 26 pontos-base.

Impacto nos títulos de longo prazo e prefixados

A retração da semana se concentrou principalmente nos prazos mais longos. O IPCA+ com Juros Semestrais 2060 cedeu 23 pontos-base, atingindo IPCA + 6,50%, enquanto o IPCA+ com Juros Semestrais 2045 caiu 18 pontos-base, indo para IPCA + 6,58%. O IPCA+ 2032, de maturidade mais curta, teve baixa de 7 pontos-base, fechando a IPCA + 6,76%.

Já entre os prefixados, o destaque de queda nesta sexta foi o Prefixado com Juros Semestrais 2037, que passou de 12,98% para 12,90% ao ano. O Prefixado 2032 também recuou para 12,90% e o Prefixado 2029 registrou 12,77%. Na semana, essas taxas oscilaram de forma mais moderada, com variações de 2 a 11 pontos-base de baixa.

Inflação abaixo da projeção e cenário político

O movimento de queda foi impulsionado pelo IPCA-15 de outubro, que subiu 0,32%, ficando abaixo da projeção de 0,43% da Reuters e dos 0,70% registrados em setembro. Em 12 meses, o índice passou a 4,62%. O recuo foi puxado por passagens aéreas, que caíram 9,24%, e pela energia elétrica residencial, que diminuiu 0,89% com a adoção da bandeira tarifária verde.

Para Gustavo Rostelato, economista da Armor Capital, o resultado ficou abaixo das expectativas tanto no índice cheio quanto na média dos núcleos, mas “boa parte da surpresa baixista foi explicada pelo comportamento das passagens aéreas”, que reverteram parte significativa da alta do mês anterior. Segundo ele, os demais itens não mostraram sinais adicionais de deterioração, e a divulgação “não deve provocar revisões significativas nas expectativas de inflação”.

Cenário eleitoral e mercado internacional

No cenário político, as pesquisas eleitorais mostraram acirramento na reta final. O Datafolha apontou empate técnico em 50% a 50% nos votos válidos, enquanto o Vox Brasil indicou Lula com 50,6% e Flávio Bolsonaro com 49,4%. A Quaest também divulgada anteriormente trouxe números apertados entre os candidatos, que se preparam para o último debate na TV Globo.

No exterior, o petróleo operou em alta com o brent acima de US$ 114 o barril, impulsionado por tensões geopolíticas no Oriente Médio e expectativas em relação aos Estados Unidos. No câmbio, o dólar abriu com alta de 0,26%, cotado a R$ 5,051, enquanto o Ibovespa fechou a sessão anterior em queda de 1,15%, aos 204.120 pontos.

Investidores mantêm a cautela diante da indefinição eleitoral, com recomendações de analistas para evitar mudanças drásticas na carteira no calor das pesquisas e aproveitar ajustes pontuais com foco no longo prazo.

Escrito por

Deixe seu comentário