quinta-feira, 5 de novembro de 2026
Brasil

Santiago Peña renuncia à presidência do Paraguai após crise bancária

O vice-presidente Pedro Alliana deve assumir o comando do país enquanto o Congresso formaliza o encerramento do mandato presidencial.

Quem governa o Paraguai depois da renúncia do presidente?

O presidente do Paraguai, Santiago Peña, formalizou sua renúncia ao cargo na tarde desta quinta-feira (5). A decisão ocorre em meio a um grave escândalo financeiro envolvendo o Ueno Bank, instituição que mantinha conexões com antigos sócios do mandatário, e a iminência de um processo de impeachment no Legislativo.

Sucessão presidencial no Paraguai

Com a saída de Peña, a chefia do Poder Executivo será transferida para o atual vice-presidente, Pedro Alliana. Para que a transição seja oficializada, o Congresso Nacional ainda precisa realizar a aceitação formal da renúncia. Alliana, nascido em 1974 na cidade de Pilar, é um dos nomes de maior influência dentro do Partido Colorado (ANR), legenda pela qual a chapa foi eleita em 30 de abril de 2023, com 42,74% dos votos.

Declarações de Santiago Peña

Em um vídeo divulgado nas redes sociais, o agora ex-presidente justificou sua saída alegando a preservação da estabilidade nacional. “A história se encarregará de julgar e colocar em sua justa dimensão os acontecimentos que hoje nos cabe viver. Tomei a decisão de apresentar minha renúncia à Presidência da República. Faço isso pensando na estabilidade do nosso país, na paz social e na necessidade de preservar nossas instituições democráticas”, declarou.

Peña também buscou se desculpar com a população diante do colapso bancário. “Também quero pedir desculpas ao povo se em algum momento falhei. Nunca foi minha intenção defraudar a confiança que depositaram em mim. Todos os dias assumi esta responsabilidade com a vontade de trabalhar pelo Paraguai. Mas hoje minha prioridade é uma só: a tranquilidade dos paraguaios que confiaram suas economias no nosso sistema financeiro”, afirmou.

Pressão política e crise no Ueno Bank

O cenário de renúncia foi acelerado pela perda de apoio político. Antes do anúncio, o Partido Colorado já sinalizava a adesão ao processo de destituição. “Não estaremos ao lado do saque dos fundos públicos, privados e dos aposentados”, afirmou Cartes, presidente da Associação Nacional Republicana (ANR), o Partido Colorado, em comunicado publicado no X. Segundo ele, a legenda apoiaria o julgamento político para “reconduzir a institucionalidade da República”.

O colapso do sistema financeiro

A crise foi deflagrada pela insolvência do Ueno Bank, um dos principais bancos digitais do país, que atende quase metade da população paraguaia. Após intervenção do Banco Central, milhares de clientes foram às ruas de Assunção protestar contra o bloqueio de recursos. Em resposta, o governo prometeu antecipar garantias de depósitos de até 40 salários mínimos. Simultaneamente, a Justiça local decretou a prisão de oito executivos da instituição, incluindo o presidente Juan Manuel Gustale e o diretor-executivo Federico Miguel Vázquez.

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