O Ibovespa fechou a sessão desta sexta-feira com alta de 1,39%, atingindo 168.498,45 pontos, um acréscimo de 2.307,00 pontos. Com esse desempenho, o índice encerrou a semana com ganho acumulado de 0,34%, quebrando uma sequência de três semanas consecutivas no vermelho.
Recuperação técnica e o cenário corporativo
A alta do mercado brasileiro refletiu um movimento de correção após o estresse internacional recente. “O pregão de hoje é uma recuperação técnica depois de um dia de estresse global ligado à tecnologia e à inteligência artificial, com receio de maiores restrições ao setor graças às eleições americanas”, resumiu Lucas Xavier, head da mesa de renda variável da AW Capital. O especialista também destacou que “No mercado brasileiro, o próprio índice chegou ao patamar de mínima de 2026 e interrompeu a queda até então, mostrando que os investidores encontraram um preço onde se sentem mais confortáveis com a exposição ao risco. Como estamos em temporada de resultados, bons ativos continuam mostrando que serão bons ativos e serão capazes de navegar ciclos econômicos mais difíceis, se necessário”.
Apesar do avanço da bolsa, o dólar comercial registrou alta de 0,36%, cotado a R$ 5,508. Na ponta dos juros futuros, as taxas dos DIs fecharam com quedas por toda a curva.
Impacto do payroll e o cenário externo
No exterior, as atenções estiveram voltadas para a divulgação do relatório de emprego dos Estados Unidos, o payroll. O mercado de trabalho norte-americano apresentou uma criação de vagas muito acima das projeções, o que elevou as apostas de que o Federal Reserve poderá promover uma nova alta na taxa de juros em dezembro.
Para Felipe Mecchi, economista do C6 Bank, a queda do desemprego, mesmo em um cenário de aumento da participação, reforça a leitura de um mercado de trabalho sólido. O economista avalia que o avanço da renda pode, de um lado, ajudar a sustentar o consumo das famílias e, de outro, dificultar o controle da inflação, especialmente nos serviços.
Desempenho das ações e balanços trimestrais
Na temporada de balanços do terceiro trimestre de 2026, alguns papéis se destacaram positivamente. A Dasa (DASA3) disparou 10,51%, impulsionada por uma geração de caixa acima das expectativas, enquanto a Sabesp (SBSP3) avançou 6,99% com despesas menores que o previsto. Entre os bancos, o Banco do Brasil (BBAS3) subiu 3,88%, o Bradesco (BBDC4) ganhou 3,12% e o Itaú Unibanco (ITUB4) avançou 1,40%.
Enquanto isso, o cenário doméstico segue desafiador com projeções revistas para o PIB de 2027 e discussões em torno da responsabilidade fiscal. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva reiterou que o país mantém seriedade fiscal e que o ajuste não recairá sobre os mais pobres, enquanto o mercado aguarda o desdobramento das medidas econômicas oficiais.




