sexta-feira, 6 de novembro de 2026
Brasil

Senado do Paraguai rejeita mais tempo para defesa e mantém julgamento de Peña

Plenário negou pedido de 72 horas feito pelo presidente após grave crise no sistema financeiro do país vizinho

Senado paraguaio nega prorrogação de processo de impeachment de Peña

Os legisladores paraguaios rejeitaram nesta sexta-feira (6) a prorrogação do prazo para o processo de impedimento do presidente Santiago Peña. Após uma breve interrupção de 30 minutos na sessão da Câmara Alta, o plenário negou o pedido de 72 horas para a preparação da defesa por 39 votos a 3.

Votação expressiva e abstenções no plenário

A decisão que manteve inalterado o cronograma do julgamento contou ainda com duas abstenções registradas pelos senadores Celeste Amarilla e Silvio “Beto” Ovelar. Com o revés, a tramitação seguiu imediatamente com a exigência de comparecimento do mandatário ou de seus representantes legais perante o Congresso.

Tentativa de renúncia e o futuro político

Na tarde de quinta-feira (5), Santiago Peña tentou deixar o cargo em meio ao forte impacto político provocado pelo escândalo envolvendo o Ueno Bank, instituição associada a ex-sócios do chefe de Executivo. Contudo, o parlamento optou por ignorar a carta de afastamento voluntário e dar continuidade ao procedimento de destituição.

Consequências jurídicas e imunidade

Se a saída voluntária tivesse sido aceita pelos parlamentares, o político paraguaio teria a prerrogativa de ocupar uma cadeira como senador vitalício, o que lhe garantiria foro privilegiado e imunidade. Caso seja condenado no processo de impeachment, o chefe de Estado ficará vulnerável a responder criminalmente perante a Justiça comum.

A instabilidade política eclodiu após milhares de cidadãos tomarem as ruas de Assunção na última terça-feira (3) para protestar contra o congelamento de contas no Ueno Bank, banco digital considerado insolvente que atendia quase metade da população nacional. Em resposta à crise, o Banco Central decretou o bloqueio de recursos, suspendeu saques em fundos vinculados e prometeu antecipar garantias aos correntistas. Paralelamente, o poder judiciário decretou a prisão preventiva de oito investigados, incluindo o presidente da instituição financeira, Juan Manuel Gustale, e o diretor-executivo, Federico Miguel Vázquez.

Escrito por

Deixe seu comentário