Os legisladores paraguaios rejeitaram nesta sexta-feira (6) a prorrogação do prazo para o processo de impedimento do presidente Santiago Peña. Após uma breve interrupção de 30 minutos na sessão da Câmara Alta, o plenário negou o pedido de 72 horas para a preparação da defesa por 39 votos a 3.
Votação expressiva e abstenções no plenário
A decisão que manteve inalterado o cronograma do julgamento contou ainda com duas abstenções registradas pelos senadores Celeste Amarilla e Silvio “Beto” Ovelar. Com o revés, a tramitação seguiu imediatamente com a exigência de comparecimento do mandatário ou de seus representantes legais perante o Congresso.
Tentativa de renúncia e o futuro político
Na tarde de quinta-feira (5), Santiago Peña tentou deixar o cargo em meio ao forte impacto político provocado pelo escândalo envolvendo o Ueno Bank, instituição associada a ex-sócios do chefe de Executivo. Contudo, o parlamento optou por ignorar a carta de afastamento voluntário e dar continuidade ao procedimento de destituição.
Consequências jurídicas e imunidade
Se a saída voluntária tivesse sido aceita pelos parlamentares, o político paraguaio teria a prerrogativa de ocupar uma cadeira como senador vitalício, o que lhe garantiria foro privilegiado e imunidade. Caso seja condenado no processo de impeachment, o chefe de Estado ficará vulnerável a responder criminalmente perante a Justiça comum.
A instabilidade política eclodiu após milhares de cidadãos tomarem as ruas de Assunção na última terça-feira (3) para protestar contra o congelamento de contas no Ueno Bank, banco digital considerado insolvente que atendia quase metade da população nacional. Em resposta à crise, o Banco Central decretou o bloqueio de recursos, suspendeu saques em fundos vinculados e prometeu antecipar garantias aos correntistas. Paralelamente, o poder judiciário decretou a prisão preventiva de oito investigados, incluindo o presidente da instituição financeira, Juan Manuel Gustale, e o diretor-executivo, Federico Miguel Vázquez.




