sábado, 31 de outubro de 2026
Brasil

Surto de ebola no Congo supera cinco mil mortes e taxa de letalidade chega a quase 50%

Cerca de 80% dos novos infectados estão fora do monitoramento oficial e conflitos armados dificultam a contenção da epidemia

Ebola ultrapassa 5 mil mortes no Congo e atinge letalidade próxima de 50%

O atual surto de ebola na República Democrática do Congo atingiu a marca de 5.026 mortes em meio a 10.351 infecções registradas, conforme balanço divulgado pelo Ministério da Saúde do país. Com uma proporção que beira os 50% de letalidade, a crise sanitária também contabiliza 2.788 pacientes recuperados desde o início da emergência.

O segundo maior da história

Desencadeada pelo vírus Bundibugyo e declarada em maio, a emergência sanitária já se consolida como a segunda mais letal já documentada, ficando atrás apenas da epidemia na África Ocidental entre 2014 e 2016, que vitimou 11 mil pessoas. A enfermidade já alcançou 67 das 178 zonas de saúde congolesas, espalhando-se por oito das 26 províncias, com foco intenso no leste, principalmente em Ituri e Kivu do Norte.

“É um marco muito trágico porque não se trata apenas de um número”, disse o médico Patrick Otim, gerente de área de programas da Organização Mundial da Saúde (OMS). “São famílias e comunidades devastadas por esse surto”.

Obstáculos no atendimento e conflitos

Os esforços de contenção enfrentam barreiras severas, como a dificuldade de rastrear os contatos. Dados dos Centros Africanos de Controle e Prevenção de Doenças apontam que cerca de 80% dos novos casos ocorrem fora do alcance das equipes de monitoramento. Além disso, um terço dos óbitos ocorreu antes que os pacientes conseguissem chegar a um centro de tratamento ou realizar exames.

“São pessoas que nunca tivemos a oportunidade de tentar salvar, e essa é uma das nossas maiores preocupações neste surto. Como podemos chegar às pessoas mais cedo e fazer com que procurem unidades de saúde para ter uma chance real de sobreviver?”, questionou o representante da OMS.

A situação é agravada por instabilidades políticas, resistência comunitária e greves de profissionais da saúde. Em Tchomia, funcionários paralisaram atividades cobrando quatro meses de salários atrasados. O alcance geográfico também se expandiu para fora do Congo, com registros no Quênia e na Nigéria, configurando o surto com maior dispersão no continente.

Características da doença

O ebola é uma zoonose provocada por vírus da família Filoviridae, tendo os morcegos frugívoros como prováveis hospedeiros. A transmissão ocorre por meio de contato direto com fluidos corporais de indivíduos infectados ou materiais contaminados, sem transmissão aérea. Os sintomas englobam febre alta, dores de cabeça e musculares, fraqueza, diarreia, vômitos e quadros hemorrágicos.

O subtipo Bundibugyo, isolado pela primeira vez em Uganda em 2007, difere da espécie Zaire. Por causa disso, tratamentos e imunizantes criados para a linhagem Zaire não possuem eficácia comprovada contra o vírus atual, obrigando os médicos a focarem em cuidados de suporte para aliviar os sintomas dos enfermos.

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