segunda-feira, 26 de outubro de 2026

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Economia

Lula enfrentará desafio fiscal e Congresso adverso no quarto mandato

Bolsa reagiu fortemente ao resultado e mercado projeta alta na dívida pública e no dólar nos próximos anos.

Lula 4 terá desafio de unir agenda social e estabilidade fiscal com Congresso adverso

A reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) concretizou antigas preocupações do mercado financeiro, trazendo à tona debates sobre o avanço do endividamento público, a manutenção de juros elevados por causa de políticas sociais e a complexidade de governar com um Congresso predominantemente alinhado à oposição.

Impacto imediato nos mercados financeiros

A reação da B3 logo após o pleito foi intensa, resultando no acionamento do mecanismo de circuit breaker pela primeira vez desde março de 2020 para interromper temporariamente as negociações na Bolsa. Para especialistas, o cenário exige cautela redobrada.

De acordo com Roberto Simioni, economista-chefe da Blue3 Investimentos, “A vitória de Lula tem como desafio manter a credibilidade fiscal em um Legislativo adverso. Para Lula, o desafio central será demonstrar que uma agenda de proteção social, investimento público e fortalecimento do mercado interno pode coexistir com uma trajetória crível de estabilização da dívida”. O analista ressalta ainda que a supressão de investimentos vitais em infraestrutura ou educação pode até gerar um superávit primário imediato, mas compromete o crescimento potencial do país a médio prazo.

Projeções macroeconômicas e prêmio de risco

Estimativas da Oby Capital apontam para uma elevação do prêmio de risco fiscal, com o dólar cotado entre R$ 5,50 e R$ 5,70, alta nas taxas de juros futuros longos e queda estimada entre 6% e 10% no Ibovespa. Além disso, a gestora projeta que a dívida bruta poderá alcançar cerca de 95% do Produto Interno Bruto (PIB) até 2030, caso o ajuste fiscal concentre-se prioritariamente na arrecadação, o que dificultaria reduções na taxa Selic para patamares inferiores a 11% ao ano.

O Executivo também precisará acomodar entre R$ 70 bilhões e R$ 90 bilhões em novos gastos e desonerações assumidas durante a campanha. Esse montante não contempla as promessas feitas pelo presidente recém-eleito em seu discurso de vitória, que incluiu maiores aportes em tratamentos oncológicos, a expansão do programa Pé-de-Meia, fomento à educação integral, amparo social aos idosos e o incentivo a inovações tecnológicas nacionais, como uma inteligência artificial em português.

Obstáculos na articulação com o Legislativo

A construção de uma base de apoio sólida no Parlamento desponta como o obstáculo inicial mais crítico para a administração. Analistas avaliam que, diante de um Congresso mais conservador, a aprovação de pautas de controle de despesas ou ampliação de receitas exigirá forte articulação política com o centrão.

Nos três primeiros meses de governo, a gestão precisará responder a indagações cruciais, como a definição da equipe econômica, o modelo de financiamento para as promessas de campanha e a metodologia de diálogo com o Legislativo. Já o encerramento do primeiro ano exigirá comprovação de execução orçamentária e entregas fiscais sólidas.

O risco primordial reside na possibilidade de o governo adotar um ajuste fiscal superficial, focado apenas em cortes discricionários e receitas passageiras, sem enfrentar as verdadeiras rigidezes estruturais do orçamento federal.

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