segunda-feira, 26 de outubro de 2026

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Brasil

Aliados apontam erros na campanha de Flávio Bolsonaro à presidência

Mudança de tom, influência de Pablo Marçal e clima de vitória antecipada pesaram na derrota do senador no segundo turno

Marçal, Bolsa Família e ‘já ganhou’: os erros de Flávio na avaliação de aliados

A presença do influenciador Pablo Marçal na reta final da disputa e declarações polêmicas sobre o Bolsa Família e a Constituição estão entre os principais fatores apontados por aliados do senador Flávio Bolsonaro (PL) para explicar a derrota na corrida pela Presidência da República e a reviravolta entre o primeiro e o segundo turno.

Mudança de tom e rejeição ao estilo agressivo

De acordo com pessoas próximas ouvidas pela coluna, o parlamentar abandonou o tom moderado que vinha mantendo e adotou uma postura mais dura. Para esse grupo, a guinada dificultou tanto a captação de novos apoios entre eleitores indecisos quanto a consolidação da base que já possuía.

O estilo combativo acabou gerando resistência no eleitorado de centro, que passou a enxergar o candidato com maus olhos após as orientações de Marçal. Entre os episódios mais criticados estão o momento em que o senador chamou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) de “nove dedos” no debate da TV Globo e as ocasiões em que zombou da voz ou de dificuldades do petista, atitudes interpretadas como preconceituosas por parte do eleitorado.

Falas sobre a Constituição e o Bolsa Família

Outros pronunciamentos na fase pós-primeiro turno também serviram para alimentar o receio em relação ao movimento político. Flávio declarou que alteraria a Carta Magna logo no dia seguinte ao pleito, enquanto manifestações da assessora econômica Daniella Marques a respeito do programa social foram vinculadas ao encerramento do benefício, favorecendo a estratégia da campanha adversária.

O clima de vitória antecipada e a falta de mobilização

A sensação de que a eleição já estava decidida nos bastidores também é vista como um equívoco estratégico. A obtenção de novas legendas aliadas fez com que a equipe passasse a debater a partilha de cargos antes mesmo da votação oficial, enquanto o partido opositor intensificava a mobilização popular nas ruas.

As ações do chamado “Bloco do 22”, incluindo coreografias e atos de rua na reta final, receberam críticas internas por se limitarem a dialogar com simpatizantes que já estavam engajados, sem conseguir furar a bolha.

Por fim, a repercussão negativa de um vídeo divulgado pelo deputado federal Nikolas Ferreira (PL) focado na região Nordeste também entrou na lista de desgastes. O material foi amplamente explorado pelos adversários após o vazamento de bastidores da gravação, que foram rotulados pela oposição como uma produção teatral e artificial.

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