segunda-feira, 26 de outubro de 2026

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Economia

Risco-país dispara após eleição e CDS do Brasil supera 151 pontos

Derivativo financeiro que protege contra calotes registra alta de 26% em relação ao fechamento da última sexta-feira.

CDS de 5 anos do Brasil passa dos 151 pontos, 26% acima do fechamento de 6ª feira

O Credit Default Swap (CDS) de 5 anos do Brasil, instrumento financeiro utilizado como seguro contra calotes na dívida soberana, registrou um salto de 26% entre o encerramento da última sexta-feira (23) e as primeiras horas desta segunda-feira. O movimento ocorreu logo após a vitória de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sobre Eduardo Bolsonaro (PL) na disputa pela Presidência da República, fazendo o indicador da S&P Global Market Intelligence saltar de 120,2 para 151,67 pontos-base.

Evolução do indicador e impacto eleitoral

Essa trajetória de alta já vinha sendo monitorada pelos analistas desde o momento em que os levantamentos de intenção de voto das duas semanas anteriores passaram a indicar avanço para o candidato petista. Em contraste, no dia 6 de outubro, logo após a divulgação dos resultados do primeiro turno que haviam sido amplamente favoráveis a Flávio Bolsonaro, o CDS de cinco anos havia despencado para uma faixa inferior a 108 pontos, alcançando o menor patamar desde o ano de 2020.

No decorrer da semana passada, o indicador retomou patamares entre 118 e 119 pontos, encerrando o pregão de sexta-feira na marca de 120,2 pontos.

Preocupações com a política fiscal

A percepção predominante entre os analistas é de que a manutenção da atual política fiscal expansionista eleva o perigo de novos rebaixamentos da nota da dívida brasileira pelas principais agências de classificação de risco. Esse cenário tornaria os títulos públicos menos atraentes para o capital estrangeiro e doméstico, gerando potencial pressão de alta sobre as taxas de juros.

Por outro lado, a queda anterior do indicador havia sido motivada pelo compromisso assumido pelo então candidato do PL de implementar um robusto ajuste fiscal no orçamento, baseado prioritariamente em cortes de despesas, enxugamento da máquina pública e privatizações, mesmo diante dos desafios impostos por um orçamento engessado por gastos obrigatórios.

O que são e como operam os credit default swaps

Um swap de default de crédito funciona como um derivativo financeiro destinado a garantir proteção contra situações específicas de crédito, a exemplo de um default por parte de um tomador soberano ou corporativo. Nesse mecanismo, o comprador do ativo realiza pagamentos periódicos ao vendedor em troca de uma compensação financeira caso ocorra o evento de crédito assegurado, conforme as regras estabelecidas em contrato.

De maneira geral, as cotações dos CDS são cotadas na forma de um spread medido em pontos-base, sendo que cada 100 pontos-base equivalem a um ponto percentual ao ano.

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