Os candidatos Flávio Bolsonaro (PL) e Luiz Inácio Lula da Silva (PT) disputam neste domingo a preferência do eleitorado para definir quem assumirá o comando do país a partir de 5 de janeiro de 2027. O pleito encerra uma das campanhas mais tensas e marcadas por acusações na história política nacional, sem um favorito destacado e com forte expectativa sobre o impacto da abstenção.
Cenário das pesquisas e a reta final da disputa
No primeiro turno, realizado há três semanas, o senador e oposicionista Flávio Bolsonaro, de 45 anos, surpreendeu ao terminar na liderança com 47,03% dos votos, enquanto o atual presidente registrou 45,16%. Lula, que completa 81 anos na próxima terça-feira e busca o seu quarto mandato presidencial, conseguiu diminuir a vantagem do adversário nas sondagens mais recentes, criando um cenário de total imprevisibilidade.
Após votar em São Bernardo do Campo (SP), o petista declarou: “O que o povo fez comigo nesses dias é uma coisa que não tem como pagar, é muita generosidade, é muito carinho, é muito amor e eu serei eternamente grato ao comportamento do povo”.
As pesquisas de intenção de voto divulgadas na véspera apontaram empate técnico, com leve vantagem numérica de Flávio, registrando 51% contra 49% dos votos válidos. Para o cientista político Carlos Melo, do Insper, “Flávio é ligeiramente favorito, ele não é francamente favorito”. O especialista destacou ainda: “Quando você olha para os números, mais do que o número você tem que olhar para a tendência. A tendência é o Flávio caindo, ou praticamente paralisado, e o Lula subindo muito devagar”.
O fator abstenção e a mobilização nas ruas
O comparecimento às urnas surge como um elemento determinante, visto que a base de apoio petista historicamente apresenta índices menores de participação. No primeiro turno, a abstenção atingiu 21,08%, deixando mais de 33,4 milhões de eleitores sem votar, de um total de 158,7 milhões de aptos.
Diante disso, Flávio Bolsonaro fez um apelo aos eleitores após votar no Rio de Janeiro, acompanhado da esposa Fernanda e da mãe, Rogéria: “Faça chuva ou faça sol, bora sair de casa para votar, que o Brasil vai mudar e o Brasil vai vencer”. O senador também enfatizou: “Chegou a hora da mudança de verdade”.
Estratégias digitais e guinada nas campanhas
O segundo turno foi marcado por estratégias distintas em comparação ao início da disputa. A campanha de Lula investiu fortemente em eventos de rua e redes sociais, impulsionada pelo canal de WhatsApp “Exército do Lula”, coordenado pelo deputado federal André Janones (Rede-MG). A mobilização gerou reações e tentativas de suspensão na Justiça eleitoral por parte dos adversários. Na véspera, antes de evento em Copacabana, Lula afirmou que “o povo assumiu para si a responsabilidade de fazer a campanha”.
Do outro lado, após o resultado expressivo do primeiro turno, Flávio protagonizou debates sobre propostas constitucionais, como o fim da reeleição e a redução da maioridade penal, além de mudar de postura em pautas como o fim da escala de trabalho 6×1. Com previsões de chuvas no Sul e Sudeste, redutos favoráveis ao candidato do PL, o senador reforçou nas redes sociais: “Pega alguém que não foi votar no primeiro turno e leva para votar no segundo. Compareça às urnas neste segundo turno, independente do tempo, faça chuva, faça sol, não deixe de sair de casa para votar, cada voto é muito importante”.
A corrida eleitoral também foi marcada por intensa judicialização no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), com trocas de acusações severas entre os concorrentes e discussões sobre o papel das plataformas digitais. Analistas políticos preveem que o acirramento deve persistir mesmo após o anúncio oficial do resultado nas urnas. Segundo Creomar de Souza, analista da Dharma Political Risk, “A expectativa é de que vai ser uma eleição tensa”, acrescentando que “Acho que a gente ainda vai ter algum nível de discussão política, algum nível de embate jurídico”.



