A investigação de fragmentos recolhidos no lado oculto da Lua pela missão espacial Chang’e 6 e trazidos para a Terra em 2024 revelou a presença de ferro gama na região, conforme aponta um estudo divulgado na revista científica Proceedings of the National Academy of Science (PNAS). A localização do elemento já era esperada pelos pesquisadores, mas a sua forma específica intrigou a comunidade científica por causa das condições atuais do satélite natural, servindo como uma verdadeira cápsula do tempo para desvendar a evolução geológica e magnética do corpo celeste.
Estrutura cristalina incomum e o desafio das temperaturas
O metal exibe variadas disposições cristalinas que se alteram de acordo com o calor recebido. Abaixo de 912 ºC, ele adota a conformação alfa, que é a mais habitual, enquanto na faixa entre 912 ºC e 1.394 ºC ele adota a configuração gama, caracterizada por uma estrutura cúbica de faces centradas.
Considerando que a temperatura na Lua oscila entre -248 ºC e 121 ºC, o material coletado deveria se apresentar obrigatoriamente na forma alfa, contrariando o que foi efetivamente encontrado pelos cientistas nas análises laboratoriais.
Impactos de meteoritos e resfriamento rápido
Diante do clima lunar atual, que é consideravelmente inferior ao patamar térmico necessário para a criação do composto, os especialistas buscam entender qual fator elevou a temperatura a níveis tão extremos. Entre as teorias levantadas está a colisão de um meteorito, cujo calor gerado teria sido potente o suficiente para transformar a estrutura do elemento metálico analisado.
A teoria aponta que o choque da rocha espacial foi acompanhado por um resfriamento abrupto, fazendo com que o mineral ficasse preservado desde aquele período. Pequenas frações de carbono encontradas no material auxiliam na estabilização dos átomos, em um mecanismo comparado à têmpera do aço, onde o metal passa por um abaixamento rápido de temperatura para conservar seu formato.
Investigação do campo magnético lunar
Como determinadas partículas responderam a forças magnéticas externas, cientistas da Academia Chinesa de Ciências avaliam que os fragmentos podem esclarecer se o satélite natural já possuiu um campo magnético ativo no passado. A meta agora é conseguir novos exemplares parecidos para aprofundar os estudos sobre a história do astro.
Recentemente, o satélite natural também ganhou destaque quando uma nova cratera se formou no solo lunar em decorrência da colisão de um fragmento do foguete Falcon 9, desenvolvido pela empresa SpaceX.



