quarta-feira, 28 de outubro de 2026
São José do Rio Preto

Justiça da Itália adia extradição de Carla Zambelli para novembro

Defesa alegou falta de acesso a documentos sobre as condições da Penitenciária Feminina do Distrito Federal.

Justiça italiana adia julgamento sobre extradição de Zambelli

O processo judicial sobre a extradição da ex-deputada Carla Zambelli na Itália foi remarcado pela Corte de Apelação de Roma para o dia 24 de novembro. A decisão ocorreu após um pedido protocolado pela defesa da brasileira, que cobrou mais tempo para analisar os papéis enviados pelas autoridades do Brasil.

Motivos do adiamento na Itália

Os advogados argumentaram que não tiveram acesso prévio aos documentos enviados pelo governo brasileiro referentes à Penitenciária Feminina do Distrito Federal, conhecida como Colmeia. O local é o destino previsto para a ex-parlamentar caso sua remoção ao território nacional seja concretizada. A primeira instância havia dado sinal verde para o envio, mas os defensores recorreram à Corte de Cassação exigindo esclarecimentos sobre a situação do sistema penitenciário brasileiro, o que travou o andamento nesta quarta-feira.

O advogado Eduardo Maurício, que representa Zambelli, disse que o julgamento desta terça (27) não poderia ocorrer, pois sem acesso à documentação enviada pelo Brasil, não seria “possível exercer a ampla defesa e contraditório sobre as questões que envolve a garantia à saúde da ex-deputada”.

O defensor acrescentou que “extraditar Carla ao Brasil seria o mesmo que entregá-la à morte, já que o sistema prisional brasileiro é desumano e degradante”.

Histórico de condenações no Supremo

A ex-parlamentar enfrenta penas severas aplicadas pela Suprema Corte brasileira. Em 2025, a Primeira Turma do STF a condenou a 10 anos de reclusão por falsidade ideológica e invasão de sistema informático. A investigação apontou que ela liderou a invasão aos arquivos digitais do Conselho Nacional de Justiça em 2022 com o intuito de emitir um mandado de prisão falso contra o ministro Alexandre de Moraes, visando descredibilizar a Justiça antes das eleições.

Ainda em 2025, ela acumulou outra pena de 5 anos e 3 meses em regime semiaberto por porte ilegal de arma e constrangimento ilegal. O episódio envolveu a perseguição armada ao jornalista Luan Araújo nas ruas da capital paulista pouco antes do segundo turno presidencial de 2022.

Fuga e tramitação internacional

Utilizando um passaporte europeu, a ex-deputada deixou o país rumo aos Estados Unidos e, na sequência, fixou-se na Itália, onde buscou refúgio sob alegação de perseguição política, logo após a primeira condenação e antes da emissão do mandado de prisão.

Ela chegou a ser detida em solo romano por ordem do STF intermediada pelo governo do Brasil, mas acabou solta após o primeiro processo de extradição sofrer revés definitivo na Corte de Cassação, quando os magistrados alegaram parcialidade do relator brasileiro. Agora, ela permanece em Roma enquanto o segundo pedido de extradição segue em análise.

Escrito por

Deixe seu comentário