sexta-feira, 23 de outubro de 2026
São José do Rio Preto

São Paulo lidera produção nacional de laranja e movimenta bilhões

Estado concentra 80% da safra brasileira e se destaca globalmente com tecnologia, exportações bilionárias e variedades históricas.

Estado de SP concentra 80% da produção nacional de laranja

O Estado de São Paulo é o principal polo da citricultura no Brasil, respondendo por impressionantes 80% da produção nacional da fruta. Com uma sólida base que une tradição, tecnologia de ponta e pesquisa científica avançada, a cadeia produtiva paulista registrou movimentações bilionárias e desempenha um papel de destaque tanto no abastecimento interno quanto no exigente mercado internacional.

Tradição e ciência nos pomares paulistas

As frutas cítricas chegaram ao país trazidas pelos portugueses ainda no século XVI, mas foi no início do século XX que a atividade ganhou forte impulso com a adoção de mudas enxertadas e o apoio da assistência técnica. Um momento decisivo dessa trajetória ocorreu em 1928, com a fundação da Estação Experimental de Limeira, precursora do atual Centro de Citricultura Sylvio Moreira, órgão ligado ao Instituto Agronômico (IAC-APTA) e à Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo.

“A citricultura paulista foi muito beneficiada, principalmente no início dos anos 1900, pelo estímulo a novos plantios, pela utilização de mudas enxertadas e pelo fortalecimento da assistência ao setor, especialmente nas áreas de pesquisa e tecnologia”, afirma Dirceu Mattos Jr., diretor do Centro de Citricultura.

Atualmente, o território paulista cataloga 54 variedades comerciais de laranja, cada qual com características próprias de sabor, maturação e finalidade. A famosa laranja Pera, sozinha, responde por cerca de 30% das laranjas doces cultivadas, atendendo tanto o consumo in natura quanto a indústria de sucos, ao lado de tipos como Natal, Valência e Folha Murcha.

Impacto econômico e salto na produtividade

A força do setor reflete diretamente nas finanças estaduais. No último ano, o processamento industrial da fruta injetou R$ 13,1 bilhões na economia de São Paulo, enquanto o comércio voltado ao consumo fresco movimentou R$ 3,8 bilhões, conforme dados do Instituto de Economia Agrícola (IEA). Além disso, 90% das variedades encontradas nos pomares do Estado nascem de matrizes genéticas desenvolvidas ou mantidas pelo Instituto Agronômico.

“A citricultura paulista tem apresentado, nas últimas décadas, uma característica ímpar no agrofegócio. Nesses 30 anos, o setor superou pressões fitossanitárias, climáticas e econômicas, além dos impactos de políticas globais, alcançando um aumento de duas vezes e meia na produtividade. Poucas culturas apresentaram um avanço dessa magnitude, o que contribuiu significativamente para o crescimento da atividade”, destaca.

Esse avanço produtivo impulsiona as vendas para o exterior. Entre janeiro e setembro, o segmento de sucos registrou US$ 1,42 bilhão nas exportações do agronegócio paulista, sendo que 96% desse montante corresponderam exclusivamente ao suco de laranja.

A história da laranja Baía e novas pesquisas

Entre as curiosidades históricas da atividade está a origem da laranja Baía, descoberta a partir de uma mutação natural na Bahia durante o século XIX. O fruto ganhou o mundo e ficou conhecido nos Estados Unidos como Washington Navel, fazendo referência ao formato de umbigo em sua extremidade — “navel” significa exatamente isso em inglês.

“A Baía é uma variedade muito interessante, foi selecionada pelo setor e se tornou uma cultivar. Essa variedade ganhou o mundo, sendo levada para países como Estados Unidos e Austrália”, explica Mattos Jr.

Para manter o dinamismo do setor, o Centro de Citricultura Sylvio Moreira segue investindo em inovação, tendo lançado 24 novas variedades de citros em um período de três anos. O local também abriga um dos maiores Bancos de Germoplasma de Citros do planeta, servindo de base para estudos globais de melhoramento genético.

O combate ao greening e o controle fitossanitário

Apesar do sucesso econômico, os produtores enfrentam desafios severos, com destaque para o greening (HLB), uma enfermidade bacteriana transmitida pelo inseto vetor conhecido como psilídeo. A Diretoria de Defesa Agropecuária mantém fiscalização rígida sobre as regras de prevenção, exigindo que os agricultores realizem inspeções trimestrais e enviem relatórios semestrais pelo sistema GEDAVE.

As normativas estaduais estabelecem o mapeamento dos municípios conforme o nível de contaminação. Em regiões de baixa incidência, a remoção de plantas doentes é obrigatória em qualquer idade, ao passo que nas áreas de alta incidência o foco recai sobre pomares com árvores de até três anos. O controle do inseto vetor e a certificação da origem das mudas seguem como obrigações fundamentais em todo o território paulista para proteger o futuro da citricultura.

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