Apesar da retração gradual no costume de depositar arranjos nos cemitérios, o Dia de Finados continua desempenhando um papel estratégico para a economia verde nacional, movimentando toda a cadeia de produtores, atacadistas e comerciantes do setor.
Desafios na produção e estratégias divergentes
No Ceaflor, maior polo de comercialização atacadista de plantas ornamentais e acessórios do país, a preparação para o feriado exige planejamento rigoroso, monitoramento da procura e superação de obstáculos climáticos e econômicos. Espécies como crisântemos, kalanchoes e kalandivas seguem como carro-chefe, acompanhadas por violetas e outras opções envasadas.
Contudo, a alta nas despesas operacionais, a escassez de trabalhadores rurais e as instabilidades do clima obrigam o setor a redobrar a cautela. Produtores como Yasuaki Shimano, da Flora Shimano, optaram por enxugar a oferta — reduzindo em 30% os cultivos de crisântemos e 10% os de kalandivas na comparação com o ciclo anterior. “Para este ano, disponibilizamos 90 mil vasos apenas”, comenta.
Otimismo e apostas na qualidade
Em sentido oposto, o engenheiro agrônomo e produtor rural Caio Shiroto, da Flora Shiroto, expandiu o volume de crisântemos para atender aos pedidos firmados com a clientela, apostando em um aquecimento nas vendas.
“Mantemos sempre uma postura otimista. Ano a ano, aprimoramos o manejo para entregar um produto de qualidade superior. A filosofia do nosso negócio é garantir um excelente produto para que nossos clientes tenham sucesso nas vendas, gerando, como consequência, crescimento de demanda para o próximo ano”, afirma Shiroto, pontuando que o cultivo voltado ao feriado exige controle absoluto do cronograma.
Transformações no consumo e diversificação
As alterações culturais na sociedade também moldam o planejamento dos floricultores. Enquanto o ritual de homenagear os entes queridos nos cemitérios se mantém forte entre as faixas etárias mais idosas, a diminuição dessa prática entre os mais jovens e a popularização da cremação alteram a dinâmica de compras.
Novas alternativas para o varejo
Para contornar as mudanças, o mercado aposta na diversificação do catálogo, incluindo antúrios, plantas verdes e outras espécies ornamentais para atrair novos públicos e ocasiões de consumo.
O presidente do Ceaflor, Antônio Carlos Rodrigues, destaca que a resiliência do setor é vital para preservar a competitividade frente aos novos cenários de consumo.
“Finados continua sendo uma data relevante para o setor e mobiliza produtores de diferentes regiões do País. Ao mesmo tempo, acompanhamos mudanças nos hábitos de consumo e a busca por alternativas que permitiram ampliar as oportunidades de venda. Nossos produtores trabalham para oferecer variedade e qualidade, conciliando as exigências do mercado com os desafios da produção”, afirma.
Mesmo com as barreiras econômicas e culturais, o feriado segue firme no calendário da floricultura nacional, garantindo produtos para que as famílias mantenham viva a tradição da homenagem.




