sexta-feira, 23 de outubro de 2026
Franca

Cartão de crédito: saiba quando o parcelamento vira um perigo

Especialista aponta estratégias para evitar o endividamento e usar as prestações a favor do orçamento doméstico.

Como não virar refém de compras parceladas no cartão de crédito. Veja as dicas de especialista

O parcelamento no cartão de crédito tornou-se um hábito cada vez mais comum entre os brasileiros. De acordo com o levantamento “O brasileiro e sua relação com o dinheiro”, elaborado pelo Banco Central, essa modalidade de pagamento ocupa a quarta posição entre as preferências nacionais, ficando atrás apenas do dinheiro vivo, do cartão de débito e do Pix. O estudo revelou que 51,6% dos 2 mil participantes utilizam essa alternativa para quitar suas aquisições.

Riscos nas pequenas despesas

Diante desse cenário de consumo frequente, torna-se essencial identificar em quais momentos a divisão de valores atua como suporte ao planejamento financeiro e quando passa a representar uma ameaça concreta ao orçamento, elevando os riscos de endividamento.

“Um exemplo simples é a aquisição de itens recorrentes do dia a dia, como alimentos e produtos de higiene pessoal. Nesses casos, a recomendação é evitar a divisão do valor, já que são itens de consumo rápido e que precisam ser repostos com frequência. Ter disciplina nas pequenas decisões diárias é o que gera segurança e estabilidade no longo prazo”, comenta Keila Patricia Rodrigues, Gerente de Cobrança da Recovery.

Quando o parcelamento é vantajoso

Dividir o montante pode ser uma decisão acertada em compras devidamente planejadas que não incorram em taxas adicionais. Essa prática ajuda a manter o fluxo de caixa sob controle, evitando o desfalque imediato de todas as reservas. Bens duráveis de maior valor, a exemplo de eletrônicos e eletrodomésticos, encaixam-se nessa categoria.

Outro cenário favorável ocorre quando o preço fracionado se iguala ou fica muito próximo ao valor cobrado à vista. Nessa hipótese, o consumidor tem a opção de manter o montante integral aplicado em modalidades de renda fixa de baixo risco, fazendo o dinheiro render enquanto paga as prestações sem encargos. Contudo, essa tática demanda rigor para que a quantia reservada não seja desviada para outros fins.

“Parcelar não é o vilão da história, o problema mesmo é decidir no impulso, sem parar para pensar como aquela parcela vai pesar no mês seguinte, e no outro, e no outro”, explica Keila.

A gestora acrescenta: “quando a gente para, mesmo que por um minuto, para pensar se aquilo cabe no orçamento e se realmente vale a pena, o parcelamento deixa de ser um atalho para ‘resolver agora’ e passa a ser, de fato, um aliado na organização financeira”.

Busca por economia e eficiência

A divisão de pagamentos também pode auxiliar na redução de despesas a médio e longo prazo. Caso um eletrodoméstico indispensável apresente defeito e o custo do conserto supere a aquisição de um equipamento novo, a troca costuma ser a alternativa mais inteligente financeiramente. Além disso, o uso consciente do cartão pode render vantagens como programas de milhagem e cashback.

Situações que exigem cautela

Antes de fechar uma transação fracionada, é fundamental analisar o impacto da prestação no orçamento mensal, a quantidade de compromissos já assumidos e a durabilidade do item adquirido. Mesmo sem cobrança de juros, o valor total da compra compromete o limite do cartão até a liquidação da última fatura, reduzindo a margem de manobra para eventuais emergências.

“Um ponto pouco compreendido é que o limite do cartão não se refere apenas à fatura do mês, ele é o teto total de compromissos em aberto. Ao parcelar, mesmo sem juros, o valor das parcelas futuras já fica reservado dentro desse limite até a quitação. Por isso, antes de fechar uma compra, vale simular quanto do limite total ficará comprometido nos meses seguintes e se ainda sobra margem para lidar com um imprevisto”, esclarece a especialista.

A falta de pagamento integral da fatura abre espaço para o uso do crédito rotativo ou do parcelamento de saldo, que possuem taxas de juros extremamente elevadas. Por fim, especialistas reforçam que o cartão deve ser encarado como instrumento de organização, e jamais como uma fonte extra de recursos.

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