sábado, 7 de novembro de 2026
Franca

Cuidados com crianças no calor vão além do sol e da piscina

Especialista alerta para perigos como desidratação rápida, afogamentos, intoxicações domésticas e crises alérgicas durante as férias

Calor pede atenção redobrada: pediatra alerta para riscos que vão além do sol e piscinas

O início do recesso escolar e a elevação dos termômetros exigem vigilância constante sobre o bem-estar infantil. Longe da rotina das salas de aula, as crianças passam a se movimentar mais e ficam expostas a fatores que podem comprometer a saúde, exigindo cautela reforçada por parte dos pais e responsáveis, adverte o médico pediatra Otávio Rubin de Araújo, formado pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), com experiência em pronto atendimento e liderança de plantão em emergência pediátrica.

Desidratação acelerada e erros frequentes com roupas

Durante os dias mais quentes, os alimentos tendem a se deteriorar com maior facilidade, o que eleva a incidência de infecções gastrointestinais e viroses. Esse cenário se agrava quando surgem episódios de vômito ou diarreia, intensificando a perda hídrica do organismo.

“As crianças já tendem a desidratar com altas temperaturas. Se estiverem vomitando ou apresentando diarreia, esse risco aumenta exponencialmente”, alerta o pediatra, reforçando que o atendimento médico não deve ser adiado diante desses sintomas.

Os sinais de alerta para a perda excessiva de líquidos englobam a ausência de lágrimas no choro, redução expressiva no volume da urina, palidez cutânea e nos lábios, pontas dos dedos arroxeadas ou esbranquiçadas, prostração, náuseas e recusa para comer. Outro fator de risco rotineiro é o excesso de agasalhos. Vestir bebês e crianças com camadas desnecessárias de tecido eleva a temperatura corporal e favorece a desidratação.

Atenção máxima perto da água e dados de afogamento

Momentos de lazer em praias, rios ou piscinas demandam observação ininterrupta. Entre 2010 e 2023, o Brasil contabilizou 71.663 mortes decorrentes de afogamento, segundo registros do Ministério da Saúde. Do total de vítimas fatais, 5.878 tinham entre 1 e 4 anos de idade, o que representa 8,2% dos casos.

A faixa etária de 1 a 3 anos requer cuidado extremo por coincidir com a fase de intensa curiosidade e exploração motora. “Nunca tire o olho da criança. Crianças são imprevisíveis, ágeis e ainda não conseguem medir riscos e consequências de determinadas ações”, alerta dr. Otávio.

O especialista destaca que boias infláveis de recreação não garantem segurança e jamais substituem a presença ativa de um adulto responsável. Coletes salva-vidas certificados podem atuar como apoio complementar de proteção, mas não anulam a necessidade de vigilância presencial.

Prevenção de acidentes domésticos e proteção contra o sol

Permanecer mais tempo dentro de casa também amplia a probabilidade de incidentes cotidianos, especialmente a ingestão acidental de itens de limpeza ou medicamentos deixados ao alcance dos pequenos.

“A criança passa mais tempo em casa, e se não tivermos cuidado redobrado com o lugar e disposição de cada coisa, acidentes podem e vão acontecer”, adverte o médico pediatra.

Já em relação aos raios ultravioleta, o protetor solar deve ser aplicado a partir dos seis meses de idade, com fórmulas hipoalergênicas específicas para a infância, protegendo o corpo de forma ampla e preservando a área dos olhos. Bonés e óculos escuros auxiliam na proteção dos maiores. Para lactentes com menos de seis meses, a orientação médica é não expor diretamente ao sol, priorizando sombra natural e vestimentas leves e frescas.

Clima seco e aumento de crises respiratórias

O calor e o tempo seco, somados à dispersão de pólens trazida pela primavera, criam um ambiente propício para a piora de quadros de rinite, crises de asma e episódios de sinusite. A hidratação das vias aéreas por meio da lavagem nasal frequente e o uso de umidificadores de ambiente ajudam a amenizar o desconforto, enquanto antialérgicos só devem ser administrados sob prescrição profissional.

Pais de pacientes com asma precisam procurar um serviço de emergência imediatamente se houver tosse seca acompanhada de falta de ar súbita. A observação constante das variações de comportamento dos filhos continua sendo o método mais seguro de prevenção durante toda a temporada de calor.

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