A discussão sobre o fim da escala 6×1 e a eventual redução da jornada de trabalho acendeu o sinal amarelo no setor calçadista brasileiro, com reflexos diretos em polos tradicionais como Franca e municípios vizinhos. A fabricação de calçados na região responde por uma parcela expressiva da economia local, influenciando de maneira determinante a geração de empregos, a renda das famílias e o desenvolvimento industrial.
Impactos na produção e nas fábricas
Em nota oficial divulgada em 15 de outubro de 2026, a Associação Brasileira das Indústrias de Calçados (Abicalçados) manifestou forte preocupação com os possíveis reflexos dessas mudanças na sustentabilidade dos negócios e na manutenção das vagas de trabalho. Embora reconheça a relevância da valorização profissional, do descanso e do convívio familiar, a entidade defende que qualquer alteração seja conduzida com prudência, diálogo e equilíbrio para não comprometer a capacidade produtiva das empresas.
Na avaliação técnica da associação, uma queda de 9,1% nas horas trabalhadas pode resultar em uma diminuição proporcional na fabricação de calçados, caso o quadro de funcionários permaneça o mesmo e as condições produtivas não sejam alteradas no curto prazo. Como a cadeia é formada majoritariamente por micro e pequenas empresas, a adaptação de turnos e a contratação de novos profissionais tornam-se desafios ainda mais complexos.
Concorrência externa e custos operacionais
Outro fator de alerta é a pressão exercida pelos produtos importados no mercado nacional. A entidade destaca que eventuais elevações nos custos de fabricação exigem cautela, pois o encarecimento da produção interna, sem o respectivo ganho de produtividade, pode prejudicar a competitividade dos calçados brasileiros frente aos concorrentes estrangeiros.
O cenário em Franca
Na região de Franca, a cadeia produtiva vai muito além dos muros das fábricas, envolvendo fornecedores de matérias-primas, prestadores de serviços, transportadoras e o comércio local. Por esse motivo, qualquer transformação na organização laboral reverbera por toda a economia regional.
Para a Abicalçados, o desafio central consiste em harmonizar a qualidade de vida dos funcionários com a preservação dos postos de trabalho e a saúde financeira dos negócios. A instituição reforça a necessidade de prazos de transição adequados que respeitem as especificidades de cada setor, garantindo que o debate sobre a jornada de trabalho transcorra sem colocar em risco a sobrevivência da indústria calçadista nacional.



