A jovem Railany de Oliveira, de apenas 13 anos, foi oficialmente convocada para integrar a delegação do Brasil nos Jogos Sul-Americanos Escolares. A competição internacional acontecerá em Guayaquil, no Equador, entre os dias 30 de novembro e 7 de dezembro, reunindo os principais talentos esportivos do continente.
Convocação internacional e provas
Moradora do município de Bujari, localizado a 30 quilômetros de Rio Branco, a paratleta vai representar a Confederação Brasileira de Desporto Escolar (CBDE) no atletismo adaptado, voltado para pessoas com deficiência intelectual. Railany competirá em três diferentes modalidades: 80 metros rasos, salto em distância e arremesso de peso, sendo esta última a sua principal especialidade e maior esperança de pódio.
De olho no pódio internacional
A vaga internacional veio após a conquista da medalha de ouro na Série Ouro dos Jogos Escolares Brasileiros (JEBs), realizados em Brasília, onde alcançou a marca de 9,12 metros no arremesso de peso. O treinador Wedson Coelho, que acompanha a jovem há cerca de três anos na Escola Estadual Rural João de Deus Rodrigues, revelou que a chamada já era esperada.
— Desde que voltamos da fase nacional, já estávamos esperando para saber se ela seria convocada ou não, e ela seguiu treinando — disse o técnico em entrevista ao ge.
Preparação intensa e desafios de rotina
Para o compromisso no Equador, a comissão técnica intensificou os treinamentos com o objetivo de fazer a acreana superar a marca de outubro e se aproximar dos 10 a 11 metros, índice registrado pela última campeã sul-americana.
— Estamos tentando fazer com que ela chegue a uma marca maior, pelo menos de 10 ou 11 metros. Avaliando a competição do ano passado, nós vamos com a intenção de brigar por um pódio, tendo em vista que a campeã foi uma brasileira com 11 metros. Estamos intensificando os treinos. Está em cima da hora, mas vamos tentar — explicou Wedson.
Superação no interior do estado
A rotina de preparação física envolve treinos de três a quatro vezes por semana no campus da Universidade Federal do Acre (Ufac), em Rio Branco, além de sessões improvisadas em uma quadra de areia na ciclovia de Bujari durante os finais de semana. O bom desempenho também pode render à jovem o benefício do Bolsa Atleta para o próximo ciclo.
Desafio psicológico e apoio familiar
Como o regulamento da CBDE impede a viagem do treinador titular, Railany precisará lidar com a ausência de Wedson e receberá suporte de outros técnicos da delegação brasileira, gerando um teste importante para o seu lado emocional.
— Ela está bem nervosa, até porque eu não vou. Vão outros técnicos de estados que classificaram mais atletas. Tem a questão psicológica de o treinador de toda a vida não ir. Mas estou conscientizando-a de que isso vai ser bom para o crescimento dela — comentou o treinador.
A conquista da aluna da zona rural transformou-se em motivo de festa e orgulho em Bujari, impulsionando a procura de novos estudantes pelo projeto esportivo local e servindo de incentivo para toda a comunidade escolar.




