sexta-feira, 6 de novembro de 2026
Esportes

Fim da era Cristiano Ronaldo: o novo cenário da seleção portuguesa

Saída do craque provoca reestruturação tática, redistribuição da famosa camisa 7 e a ascensão de novas lideranças no comando de Jorge Jesus

Saída de Cristiano Ronaldo abre espaço para novas referências no ataque e na liderança de Portugal

O encerramento da trajetória de Cristiano Ronaldo na seleção portuguesa, oficializado nesta quinta-feira pelo próprio craque, provoca profundas transformações na equipe nacional. Entre os principais reflexos estão a reconfiguração da hierarquia interna, a consolidação de um novo centroavante titular sem concorrência direta, a herança da histórica camisa 7 e a natural transição do protagonismo em campo.

Gonçalo Ramos ganha espaço no comando do ataque

A vaga de centroavante costuma ser um dos postos mais exigidos no futebol internacional, e o jovem Gonçalo Ramos, de 25 anos, foi o pivô de uma reviravolta na equipe durante a última Data Fifa. Após começar no banco na vitória por 1 a 0 sobre o País de Gales, ele foi acionado pelo treinador Jorge Jesus no compromisso seguinte contra a Noruega, fora de casa, e marcou um dos gols no triunfo por 2 a 1.

Após esse confronto, Cristiano Ronaldo manifestou insatisfação e acusou Jorge Jesus de quebra de acordo, alegando falta de respeito por não ter sido utilizado no segundo tempo após um longo aquecimento. O atacante deixou a concentração antes do segundo compromisso. Com isso, Gonçalo manteve a titularidade e brilhou ao balançar as redes e dar assistência na vitória por 4 a 2 sobre a Dinamarca, além de marcar novamente contra os noruegueses.

Em entrevista concedida no final de outubro, o atleta demonstrou respeito ao veterano, mas defendeu seu direito de figurar entre os onze iniciais. Quero ser titular na seleção. Passei a mensagem de que se há alguém que deve jogar… Sou eu. O Mister e o país inteiro conseguem entender. O importante para mim é que eu jogue. Não quero que saia alguém em específico, isso é decisão do selecionador.

A herança da camisa 7 e as novas lideranças

A responsabilidade de vestir a emblemática camisa 7 ficou com Rafael Leão, com passagens pelo Milan e atualmente no Galatasaray. O atacante assumiu o número no duelo contra a Dinamarca e continuou com ele nas costas mesmo quando ficou no banco na partida seguinte. Ao longo de 234 partidas, Cristiano Ronaldo acumulou 146 gols por Portugal, tornando-se o maior artilheiro da história das seleções masculinas e liderando a conquista da Eurocopa em 2016.

Bruno Fernandes desponta como principal capitão

Quando assumiu o comando técnico em junho, Jorge Jesus definiu seu grupo de capitães. Quanto aos capitães, são cinco: o Cristiano, o Bernardo Silva, o Bruno Fernandes, Rúben Dias e o Diogo Costa. Destes, Bruno Fernandes desponta como o favorito principal para a braçadeira, tendo liderado a equipe nas vitórias sobre dinamarqueses e noruegueses.

João Félix assume o protagonismo ofensivo

Apontado desde os tempos de Benfica e Atlético de Madrid como o sucessor natural de Cristiano, João Félix superou uma fase de instabilidade na Europa — com passagens por Chelsea, Barcelona e Milan — após reencontrar Jorge Jesus no Al-Nassr. Aos 26 anos, o jogador soma 61 participações diretas em gols em 61 partidas, com 33 tentos e 28 assistências.

Eleito o melhor jogador da liga saudita na temporada passada após conquistar o título nacional ao lado de CR7 e do treinador, João Félix divide com Gonçalo Ramos o posto de artilheiro da atual comissão técnica na seleção, ambos com três gols em quatro partidas.

Escrito por

Deixe seu comentário