quarta-feira, 28 de outubro de 2026
Esportes

Crise de Kylian Mbappé com a China afeta Real Madrid e LaLiga

Entenda como uma brincadeira sobre Mao Tsé-Tung custou patrocínios milionários e gerou boicotes institucionais no mercado asiático.

Real Madrid e LaLiga sofrem impacto da crise diplomática de Mbappé com a China

A crise diplomática envolvendo Kylian Mbappé e a China extrapolou a esfera pessoal do atacante e ameaça diretamente os cofres do Real Madrid e a imagem da LaLiga no mercado asiático. O problema começou quando o atleta participou de um programa no YouTube ao lado do colega de time e de seleção francesa Aurelién Tchouaméni, gravado em março, mas cuja repercussão explodiu recentemente nas redes sociais chinesas.

O meme de Mao Tsé-Tung e a reação na China

Durante a entrevista, ao ser questionado sobre seu meme favorito, Mbappé gargalhou ao mencionar uma fotomontagem que mesclava o seu rosto com o de Mao Tsé-Tung, fundador da República Popular da China e governante do país entre 1949 e 1976, a quem chamou de “um ditador chinês”. A influente plataforma de notícias local Dongqiudi classificou a declaração como “inapropriada” e “ofensiva à China”, gerando forte rejeição na rede social Weibo.

Perda de contratos e o rigor da lei chinesa

A situação ganhou contornos oficiais devido à legislação do país asiático. Em 2018, o governo aprovou uma lei que criminaliza a difamação de heróis e mártires nacionais, fazendo com que o caso recebesse atenção direta da chancelaria local.

– Quaisquer palavras ou ações que ofendam os sentimentos do povo chinês naturalmente encontram ampla condenação em toda a sociedade chinesa – afirmou Guo Jiakun, porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China.

Como consequência imediata, o jogador sofreu um severo boicote comercial e perdeu pelo menos três contratos de patrocínio com marcas do país: a bebida energética Dongpeng e as empresas de laticínios Mengniu e Milkground. Para tentar conter os danos, o atleta concedeu uma entrevista pedindo desculpas pelo mal-entendido.

Impactos financeiros para o Real Madrid

O clube espanhol pode sofrer prejuízos indiretos expressivos. Como o contrato de Mbappé com o Real Madrid prevê o repasse de parte de seus ganhos com publicidade pessoal, a rescisão dos acordos chineses afeta diretamente as finanças merengues. Além disso, a equipe mantém parcerias comerciais oficiais com marcas daquele país, como Linglong Tire, Roborock e Hisense, e teme uma retaliação dos cerca de 100 milhões de torcedores locais, o que prejudicaria a venda de camisas.

A reação da LaLiga e a censura na TV

A organizadora do Campeonato Espanhol também entrou na rota de colisão. A emissora estatal CCTV suspendeu a exibição de partidas do Real Madrid, enquanto gols e entrevistas do francês foram banidos de plataformas locais. O atacante ainda teve sua conta na rede RedNote deletada por “violação das diretrizes da comunidade”. O presidente da competição, Javier Tebas, manifestou preocupação com o cenário e emitiu uma retratação oficial.

– Não podemos permitir que um ato isolado manche essa relação ou prejudique os mais de vinte clubes de nossas ligas profissionais e os milhões de torcedores chineses – declarou o dirigente, segundo a imprensa local.

Enquanto a LaLiga busca apagar o incêndio institucional, o Real Madrid manteve uma postura reservada, sem emitir comunicados oficiais ao longo do ápice da crise, mas monitorando de perto os reflexos econômicos e de imagem dessa polêmica internacional.

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