A derrota por 2 a 0 sofrida diante do Criciúma, em Santa Catarina, entrou para a história de maneira indesejada para a Ponte Preta. Com o revés na 36ª rodada da Série B do Campeonato Brasileiro, a equipe campineira alcançou a marca de 27 derrotas na edição de 2026, transformando-se no time que mais perdeu partidas em uma única temporada da divisão na era dos pontos corridos, modelo adotado em 2006. O recorde anterior pertencia ao Vila Nova, que acumulou 26 derrotas no torneio de 2014.
Outras marcas negativas e riscos na reta final
O rebaixamento antecipado e a lanterna isolada não são os únicos problemas da Macaca na competição. O clube ainda corre sérios riscos de encerrar o campeonato com o posto de pior campanha geral e de defesa mais vazada da história do torneio nacional. O levantamento estatístico considera o formato atual com 20 clubes e 38 rodadas disputadas anualmente.
Ao longo da campanha desastrosa, o time alvinegro estabeleceu um jejum histórico de 22 partidas consecutivas sem vencer, a maior sequência negativa já registrada no atual formato da Série B, cujo término ocorreu apenas em setembro diante do CRB. No quesito defensivo, a equipe já sofreu 78 gols e persegue perigosamente o recorde negativo pertencente ao Duque de Caxias, que foi vazado 84 vezes na edição de 2011.
Crise institucional, greve e debandada de atletas
O fracasso esportivo está diretamente atrelado aos graves problemas extracampo enfrentados pela instituição ao longo do ano. O clube lidou com atrasos salariais recorrentes que se arrastavam desde a temporada anterior. Em agosto, o plantel paralisou as atividades por uma semana em protesto, obrigando a diretoria a utilizar jogadores das categorias de base para evitar um W.O. contra o América-MG.
A instabilidade financeira gerou uma verdadeira debandada, resultando na saída de quase 20 atletas ao longo do torneio. Para conseguir inscrever novos reforços e evitar punições de transfer ban, a diretoria contou com o suporte financeiro de investidores do Boavista-RJ, que também emprestaram jogadores para recompor o elenco.
Tentativas frustradas de reestruturação
Nos bastidores, a diretoria tentou implementar a transformação em Sociedade Anônima do Futebol (SAF) como alternativa de salvação econômica. No entanto, a proposta acabou rejeitada por mobilização da oposição entre os associados, aprofundando as incertezas sobre o futuro administrativo e financeiro da instituição campineira.
Dentro das quatro linhas, a queda para a Série C foi sacramentada com sete rodadas de antecedência, repetindo a marca de rebaixamento mais precoce da história da competição, que também pertencia ao Duque de Caxias de 2011. Para encerrar sua participação no torneio, a Macaca ainda terá de enfrentar o Goiás fora de casa e receber o Operário-PR no estádio Moisés Lucarelli.




