sexta-feira, 6 de novembro de 2026
Esportes

Derrota de Trump nas eleições de meio de mandato complica futuro de Infantino na FIFA

A vitória democrata no Congresso americano fortalece investigações contra a gestão da entidade do futebol mundial.

Midterms: como derrota de Trump afeta futuro de Infantino

A expressiva vitória do Partido Democrata nas eleições de meio de mandato nos Estados Unidos, realizadas nesta terça-feira (3), gerou sérios problemas para o presidente da FIFA, Gianni Infantino. O dirigente busca viabilizar a sua reeleição para um quarto mandato em meio a um cenário de forte pressão internacional.

Pressão externa e o papel do Congresso americano

Além da forte resistência interna vinda da UEFA, da Concacaf e de federações filiadas, o principal dirigente do futebol global passa a lidar com uma intensa pressão externa sobre sua imagem pública. Com a conquista da maioria na Câmara de Representantes e no Senado, os democratas garantiram o controle do Congresso, tornando certa a nomeação do deputado Jamie Raskin para a presidência do Comitê Judiciário da Câmara.

Reeleito pelo 8º distrito de Maryland, Raskin já atuava como membro de maior hierarquia da minoria no comitê e liderou iniciativas para investigar os laços entre o governo americano e o comando da entidade durante os preparativos para a Copa do Mundo de 2026. As apurações incluem questionamentos sobre benefícios governamentais concedidos à organização, tratamentos favorecidos pelo Departamento de Justiça e premiações, a exemplo do Prêmio FIFA da Paz e a abertura de um escritório na Trump Tower.

Investigações e o projeto FIFA Forward Enterprises

Caso assuma a presidência do comitê em janeiro de 2027, Raskin terá autoridade para emitir intimações e convocar testemunhas. Entre os tópicos de interesse estão os pedidos do Departamento de Justiça feitos em dezembro de 2025 para anular condenações ligadas ao escândalo do FIFAgate, processo que reformulou o mapa político do esporte a partir de 2015.

A posição de Infantino também sofreu desgaste devido ao polêmico projeto FIFA Forward Enterprises, que previa a venda de 20% dos direitos comerciais das principais competições para investidores privados sob a gestão de Joshua Kushner, irmão de Jared Kushner. O vazamento da proposta, feita sem consulta ao conselho, gerou pedidos de renúncia nos últimos meses.

Cenário eleitoral e novos concorrentes

Apesar das turbulências e da oposição europeia, Infantino aparenta ter assegurado apoio interno suficiente para a recondução ao cargo, especialmente após a mudança de postura da Confederação Asiática de Futebol em outubro. As inscrições de chapas se encerram em 18 de novembro, enquanto a eleição está marcada para 18 de março de 2027.

A disputa política ganhou novos contornos na quinta-feira (5), quando o presidente honorário da Federação Japonesa de Futebol, Kozo Tashima, anunciou sua candidatura à presidência da FIFA, sinalizando o início de uma série de movimentações que devem agitar o esporte nos próximos meses.

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