sexta-feira, 23 de outubro de 2026
Esportes

Como Tite superou desconfiança para fazer história no Internacional

Atual comandante do Botafogo, técnico enfrentou resistência inicial da diretoria colorada em 2008 devido ao seu passado no Grêmio

Hoje no Botafogo, Tite superou rejeição por "ser gremista" para assumir o Inter

Em uma trajetória marcada por desconfiança inicial e posterior consagração, o técnico Tite reencontra o Internacional neste sábado, desta vez sentado no banco de reservas visitante como comandante do Botafogo. Há quase duas décadas, a chegada do treinador ao Beira-Rio exigiu superação de barreiras políticas e resistência da própria diretoria colorada.

A saída de Abel Braga e a busca por um substituto

No início de 2008, o clube gaúcho precisava encontrar um substituto para Abel Braga, que havia aceitado uma proposta para treinar o Al-Jazira, dos Emirados Árabes. Nelsinho Baptista chegou a ser contatado, mas a negociação não avançou devido à rejeição da torcida, que ainda guardava mágoas de sua saída em 1996 rumo ao Corinthians.

A resistência interna e o passado no Grêmio

Nos bastidores, o nome de Tite gerava divergências. Enquanto Giovanni Luigi, então vice de futebol, e o ex-presidente Fernando Carvalho apoiavam a contratação, o presidente Vitorio Piffero demonstrava forte relutância. O principal entrave era o histórico do técnico no arquirrival Grêmio, onde havia conquistado a Copa do Brasil de 2001.

– O Tite tinha vários bons trabalhos. Nós o acompanhávamos. Quando houve a saída do Abel, ele era o meu nome preferido. Tinha uma pequena rejeição de algumas pessoas, mas o Tite sempre foi um grande profissional – contemporiza Luigi.

O time atravessava momento delicado e ocupava a zona de rebaixamento no Campeonato Brasileiro. Após uma reunião decisiva onde o treinador demonstrou profundo conhecimento da equipe e garantiu capacidade para liderar a retomada, as arestas foram aparadas e a cúpula colorada deu o sinal verde.

– Estávamos em um momento ruim. Eu tinha uma boa relação com o Tite. Achei que ele seria um grande nome. Havia a restrição, a vinculação ao Grêmio, mas isso não existe. Me convidaram para participar da reunião e surgiu a ideia de voltar para ser o assessor do Giovanni – recorda Carvalho.

Estreia vitoriosa e a venda de Fernandão

A estreia de Tite aconteceu justamente contra o Botafogo, terminando em vitória por 2 a 1 no Beira-Rio. Contudo, o dia também ficou marcado pela saída do capitão Fernandão, negociado com o futebol do Catar.

– Ainda recebemos a notícia da venda do Fernandão. Foi uma surpresa muito grande, mas o Tite estreou e ganhamos – conta Carvalho.

Glória internacional e conquistas no Beira-Rio

Sem seu principal astro, o clube trouxe D’Alessandro para liderar a equipe ao lado de Alex e Nilmar na campanha histórica que culminou no título da Copa Sul-Americana de 2008. O desempenho convenceu a diretoria, e Piffero não escondeu os elogios durante a reta final do torneio continental.

– Vou votar no Tite para melhor em campo. Ele conseguiu fazer a equipe, com 11 e com dez jogadores, jogar de maneira compacta – disse o então mandatário colorado.

No ano seguinte, o comandante conduziu o grupo à conquista invicta do Campeonato Gaúcho com uma goleada expressiva sobre o Caxias, utilizando um esquema tático inovador com quatro zagueiros.

– Foi um dos melhores times que tivemos. Bolívar foi para a lateral direita e o Marcão para a esquerda. Jogávamos com quatro zagueiros e tínhamos a velocidade do Taison. A construção foi mérito do Tite. Fomos muito felizes – vibra Luigi.

Após passagens vitoriosas por outras equipes e pela Seleção Brasileira, além de sondagens frustradas para um retorno a Porto Alegre em gestões posteriores, o experiente treinador volta a cruzar o caminho do Colorado em momento decisivo na tabela do Brasileirão.

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