O ex-presidente do Palmeiras Paulo Nobre utilizou sua participação no podcast Jogando Verde, da Porco House TV, para disparar críticas contra a falta de rigor financeiro no esporte nacional, destacando a situação enfrentada pelo Cuiabá diante de calotes em transferências de atletas.
Paralelo com a Chapecoense
Durante a entrevista, o dirigente relacionou o momento do clube mato-grossense ao da Chapecoense, apontando que ambas são equipes de menor expressão, mas com gestões exemplares, que frequentemente sofrem com as falhas estruturais do cenário esportivo do país.
– A Chapecoense é um clube que podemos comparar um pouquinho, talvez, com o Cuiabá. São clubes pequenos, extremamente bem estruturados, que, a princípio, sobem para não cair. Mas, dada a bagunça que é o futebol brasileiro, o Cuiabá vende e fica superfeliz porque conseguiu fazer uma grana, o que é superdifícil. Um jogador, que é o melhor jogador deles, vende e não recebe. Esse jogador joga contra eles, e eles caem para a segunda divisão – explicou o dirigente.
Para o ex-mandatário palmeirense, episódios desse tipo evidenciam a necessidade urgente de implantação de um sistema rígido de fair play financeiro no país.
– Esse tipo de coisa é algo feio que ainda acontece no nosso futebol, que é um lado super amador. Falamos muito de fair play financeiro, mas isso precisa ser levado a sério – pontuou.
Necessidade de profissionalização
Nobre defendeu que a gestão dos clubes precisa acompanhar a evolução econômica do esporte, abandonando práticas ultrapassadas e priorizando a ética e o cumprimento de obrigações básicas.
– O futebol não é mais aquele futebol dos anos 30, quando se profissionalizou. A coisa virou numa dimensão completamente diferente. Se você não tiver um mínimo de ética, um mínimo de regra. É questão de entender o que funciona e o que não funciona – declarou.
Responsabilidade fiscal acima de reforços
O ex-presidente também enfatizou que a saúde financeira deve sempre vir antes da busca por grandes contratações midiáticas, reforçando seu modelo de administração.
– Mesmo que a situação fosse negativa, eu não seria a favor de não ter dinheiro para pagar conta de luz e conta de água e trazer o Riquelme e o Pirlo – completou.
Por fim, o dirigente relembrou a convivência com a diretoria da Chapecoense durante a Série B de 2013 e destacou os esforços feitos para auxiliar a equipe catarinense após o acidente aéreo de 2016.
– Era um time que subiu pra não cair. Tentei fazer o possivel para ajudar que a gente emprestaase jogadores para eles depois daquela tragédia que aconteceu – finalizou o Nobre.




