Vivendo sua melhor fase com a camisa do Vasco, o atacante Marino adotou uma declaração curiosa para descrever o estado de espírito do grupo após a vitória por 3 a 2 sobre o Corinthians, partida em que marcou duas vezes pelo Campeonato Brasileiro.
O espírito de luta e o duelo decisivo contra o Palmeiras
A atmosfera de redenção gerada pelo resultado positivo embala a equipe para o confronto deste domingo. O time carioca precisa reverter a vantagem do adversário após perder o primeiro jogo da semifinal da Copa do Brasil por 1 a 0 no estádio rival.
“Não sei se vamos beber o suco de raiva ou suco de qualquer coisa, mas a gente tem que beber alguma coisa. E com certeza a gente vai beber para virar esse jogo. A gente precisa para disputar uma final que seria muito importante para nós e para nossa torcida”, afirmou Marino em entrevista.
O jogador também destacou a identificação com o caldeirão cruzmaltino. “São Januário, para mim, é minha segunda casa. É onde eu, como jogador, me sinto confortável. E meus companheiros também. A gente tem conseguido resultados muito bons, com a torcida cantando essa canção que ‘é o time da virada’. É muito importante para a gente. A gente virou a chave, estamos focados no domingo”, completou o atleta.
Passagem pelo futebol paulista e amadurecimento
Antes de brilhar no Rio de Janeiro, o colombiano passou pelas categorias de base do Palmeiras após ser descoberto aos 17 anos em um torneio no Rio Grande do Sul. Embora não tenha atuado profissionalmente pela equipe paulista, a experiência internacional moldou sua carreira.
“A passagem pelo Palmeiras foi a melhor etapa da minha vida como homem, porque cheguei nesse país muito jovem, com 17 anos. Uma cultura diferente, idioma diferente, isso me fez amadurecer muito rápido como homem e jogador. O Palmeiras é um time que está sempre lutando nos torneio. Então, aprendi muito quando subi ao profissional. Eram muitos jogadores com muita importância”, revelou o atacante.
“Lembro do Deyverson, Felipe Melo… Até bati um papo com ele um vez no treino. Na pandemia, subi vários jogos, mas não entrei. Não alcancei jogar no profissional, mas aprendi muito nos treinos”, continuou.
Origens humildes e o reencontro com as próprias raízes
A trajetória até o futebol brasileiro foi marcada por desafios extremos. Criado às margens do Rio Cali em uma zona de alta vulnerabilidade na Colômbia, o jovem encontrou suporte em Leonardo Molina, agente de trânsito que o levou para um projeto social e o auxiliou com equipamentos esportivos básicos.
“É o cara que eu chamo de segundo pai. Estou sempre conversando com ele. É uma pessoa muito importante para mim. Ele continua trabalhando no trânsito. Sempre vou agradecer a ele, saber que foi ele quem me descobriu, quem me ensinou os primeiros passos no futebol. Sempre vou ter gratidão por ele. Sempre que tiver a oportunidade de falar dele, vou falar dessa maneira: com um sorriso no meu rosto. Lembrar dessa pessoa para mim é muito gratificante”, contou.
A homenagem ao pai de sangue
Já no clube carioca, para onde se transferiu por R$ 30 milhões após destacar-se no Atlético Nacional, o jogador optou por usar apenas seu primeiro nome na camisa para homenagear a figura paterna.
“Meu pai é meu super herói. É um cara que sempre esteve do meu lado, que sempre me apoiou, que sempre lutou comigo. Levar o nome dele nas minhas costas representa muito. E sei que para ele também, porque fica muito feliz por isso”, disse.
“Minha história com o meu pai é muito linda. Ele sempre foi meu protetor, sempre cuidou de mim, sempre ensinou bastante coisas. O que eu mais lembro é isso, a questão do trabalho. Ele trabalha na construção lá na Colômbia. Às vezes eu ajudava ele. Eu o admiro muito. Esse é um trabalho pesado, que desgasta bastante. Além disso, ele sempre teve tempo para mi apoiar, para me levar para os treinos quando era criança. Sempre vou lembrar disso como a melhor parte da minha infância”, relembrou.
Após superar o período inicial de adaptação e ganhar espaço sob o comando da comissão técnica, Marino busca agora transformar o protagonismo recente em uma classificação histórica para a torcida.




