O Brasil voltou a figurar no pódio da ginástica artística internacional durante o Mundial disputado em Roterdã, na Holanda. Após passar em branco na temporada passada, a delegação feminina demonstrou alto nível competitivo, coroado pelo tricampeonato mundial de Rebeca Andrade no salto sobre a mesa e pela medalha de bronze de Flávia Saraiva na trave. Esses resultados sólidos projetam um horizonte promissor para o ciclo olímpico que visa os Jogos de Los Angeles 2028, distanciando-se do momento delicado enfrentado pela equipe masculina.
Retorno triunfal e planejamento de Rebeca Andrade
A campeã olímpica de 27 anos retornou às competições internacionais após um período sabático de um ano, dedicado à recuperação física e mental do desgaste acumulado em Paris 2024. Na Holanda, a atleta de alta performance validou o planejamento focado em uma progressão gradual de dificuldade até 2028. Com execuções consistentemente pontuadas acima de 9,300 pontos, ela garantiu a 10ª medalha em Mundiais na carreira, mesmo poupando os elementos mais complexos de seu repertório.
A projeção técnica indica que a ginasta poderá recuperar manobras de altíssima dificuldade, mantendo-se como principal favorita internacional, desde que a concorrente americana Simone Biles confirme seu retorno definitivo aos tablados. Além disso, a comissão técnica brasileira planeja reintroduzir a estrela nas barras assimétricas até 2027, fortalecendo o conjunto nacional para o Mundial de Chengdu.
Desempenho consistente da equipe feminina e destaques
O conjunto verde-amarelo assegurou a quinta colocação por equipes em território holandês, ampliando para cinco o número de presenças em finais por aparelho — um salto expressivo em relação ao ano anterior. Flávia Saraiva consolidou sua posição de destaque ao faturar o bronze na trave, mesmo competindo com dores musculares na coxa que limitaram a dificuldade de suas acrobacias.
Novas lideranças e renovação no celeiro de talentos
Outros nomes fundamentais compuseram o sucesso da campanha na Holanda. Lorrane Oliveira retornou à final do individual geral após 11 anos de ausência, enquanto Thais Fidelis entregou sequências firmes nas fases classificatórias e na decisão coletiva. A jovem Sophia Weisberg também superou instabilidades iniciais para contribuir com uma ótima apresentação no salto.
O grupo ainda poderá contar com reforços importantes no próximo ano, visto que a medalhista olímpica Julia Soares recuperou-se recentemente de lesão, enquanto atletas como Gabriela Bouças, Julia Coutinho e Carolyne Pedro seguem na disputa por vagas no quinteto principal.
Crise e desafio de reconstrução na equipe masculina
Em contrapartida ao sucesso das mulheres, o cenário da ginástica artística masculina exige atenção imediata. O país terminou a competição na 19ª colocação por equipes, distanciando-se da zona de classificação direta para as Olimpíadas de Los Angeles e ficando totalmente ausente das finais individuais pela primeira vez desde o Mundial de 2010.
A ausência de Caio Souza, operado após romper o bíceps direito, e a temporada irregular de Diogo Soares pesaram no resultado coletivo. Já o experiente Arthur Nory, dono de títulos mundiais, precisou abandonar a disputa após sofrer um impacto na barra fixa que exigiu pontos na testa. Para reverter o quadro e buscar vagas remanescentes, a modalidade precisará evoluir consideravelmente em aparelhos historicamente desafiadores, como o cavalo com alças e as argolas.



