sábado, 24 de outubro de 2026
Brasil

Urnas eletrônicas: conheça os mecanismos de auditoria e segurança do voto

Especialista detalha barreiras tecnológicas, testes públicos e checagens realizadas antes e durante o dia da votação no Brasil

Segurança das urnas : como funcionam as auditorias antes e durante o pleito

Durante o período de votação, é comum o ressurgimento de boatos e vídeos questionando a segurança das urnas eletrônicas. Para compreender a consistência dessas alegações, especialistas destacam a necessidade de separar as fases do processo eleitoral e analisar os procedimentos técnicos aplicados na verificação dos resultados.

Inspeção antecipada e códigos-fonte abertos

Empregados no país desde 1996, os equipamentos passam por fiscalização muito antes do dia da eleição. Para as Eleições 2026, os códigos-fonte foram liberados para análise de entidades fiscalizadoras em outubro de 2025, cerca de um ano antes do pleito. O acesso seguiu aberto até a cerimônia de lacração e assinatura digital dos softwares.

O cronograma incluiu o Teste Público de Segurança, etapa em que investigadores examinam os programas e realizam simulações, seguida por um teste de confirmação das correções aplicadas em maio de 2026. Segundo o engenheiro de software Elemar Jr., especialista em tecnologia e inteligência artificial, sistemas críticos exigem transparência operacional: o funcionamento precisa permitir a verificação, e a confiabilidade se sustenta em evidências geradas por múltiplos mecanismos de controle.

Barreiras contra invasões e isolamento digital

Embora nenhuma tecnologia seja totalmente isenta de vulnerabilidades, a arquitetura das urnas foi projetada para limitar acessos e mitigar riscos de adulteração. Como o equipamento opera totalmente desconectado da internet durante a votação, as chances de invasão externa são severamente reduzidas. “Um hacker não consegue acessar as urnas remotamente”, afirma Elemar. A ausência de conexão direta, contudo, não elimina por completo a possibilidade de qualquer ameaça teórica.

Outro recurso de proteção é a assinatura digital, que assegura a autenticidade dos arquivos e detecta qualquer modificação posterior. Partidos e órgãos fiscalizadores têm acesso a essas etapas em ambiente controlado. No dia da votação, as urnas também passam pelo Teste de Integridade, onde votos registrados em cédulas de papel por auditores são digitados no equipamento para posterior confronto entre o resultado eletrônico e a contagem manual, processo acompanhado por fiscais e gravado em vídeo.

Boletim de urna, totalização e transparência

O fluxo de apuração começa com a emissão da zerésima antes do início da votação, atestando a ausência de votos prévios. Ao final do pleito, a máquina imprime o Boletim de Urna (BU), fixado na entrada da seção e dotado de um QR Code que permite aos cidadãos checar os dados pelo aplicativo Boletim na Mão, integrado ao e-Título.

As mídias de resultado são transmitidas para a totalização nacional. Essa estrutura explica ocorrências como a lentidão de 50 minutos na divulgação dos votos para presidente no primeiro turno, que estacionou em 64,81%. De acordo com o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o problema afetou apenas um módulo de publicação na internet, sem interromper a contagem nas seções ou a totalização geral. Para Elemar, a falha comprometeu a exibição externa, mas não a apuração dos votos, evidenciando a necessidade de comunicação rápida em incidentes técnicos.

Estrutura do segundo turno

O segundo turno ocorre neste domingo, 25 de outubro, das 8h às 17h (horário de Brasília), com disputa para a Presidência da República em todo o país e eleições para o governo em seis unidades da Federação, além de eventuais plebiscitos e votações suplementares. O pleito envolve um eleitorado apto de 158.745.463 pessoas distribuídas em mais de 517 mil seções. Para atender à demanda, a Justiça Eleitoral disponibilizou 563.910 equipamentos no total geral da estrutura, sendo 499.248 voltados à votação e 64.662 reservados para contingência.

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