Um total de 4.305 queixas de assédio eleitoral no ambiente profissional foi contabilizado pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) em apenas três dias. O levantamento compreende o período entre quarta-feira (28) e sexta-feira (30), período inicial de operação de uma central exclusiva voltada a essas ocorrências, cujos dados agora passam pelo escrutínio da Auditoria Fiscal do Trabalho.
Concentração de casos por estados e regiões
O estado de São Paulo encabeça o ranking com 1.325 notificações, seguido pelo Rio de Janeiro (354) e por Minas Gerais (345). Somados, esses três territórios respondem por quase metade (47%) de todas as notificações enviadas à pasta governamental.
Do ponto de vista regional, o Sudeste concentra quase 48,5% das ocorrências, totalizando 2.087 registros. Na sequência aparecem o Nordeste, com 784 queixas, e o Sul, com 757, com destaque para o Paraná (268) e Santa Catarina (259) entre os maiores volumes locais.
Natureza das infrações e posicionamento oficial
As notificações reúnem denúncias sobre eventuais intimidações, constrangimentos ou episódios de preconceito contra empregados por causa de suas preferências partidárias.
Em nota oficial, o ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho, manifestou-se sobre a situação:
“Não podemos admitir que trabalhadores e trabalhadoras sejam ameaçados, constrangidos ou discriminados por suas escolhas políticas. O voto é livre e secreto, e nenhum empregador pode usar sua posição para interferir na decisão de seus empregados. O Governo do Brasil está atento às denúncias, atuando na fiscalização e adotando as providências necessárias para proteger os direitos dos trabalhadores”Ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho
Etapa de investigação e sanções
A pasta federal esclarece que o registro de uma queixa não representa a confirmação imediata da irregularidade. Todas as informações passam por triagem e apuração rigorosa para checar a veracidade dos fatos.
Caso a infração seja confirmada, a Auditoria Fiscal do Trabalho tem a prerrogativa de lavrar autos de infração e repassar os documentos a outras instituições públicas para a adoção de medidas legais.
Ações conjuntas e novas ferramentas
Para combater o problema, o MTE atua em parceria com órgãos como o Ministério Público do Trabalho (MPT), a Advocacia-Geral da União (AGU), o Tribunal Superior do Trabalho (TST), o Ministério Público Eleitoral (MPE) e o Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP).
Entre as estratégias planejadas está a exclusão de páginas na internet e postagens em redes sociais que estimulem a perseguição política, podendo acionar empresas como Google e Meta. Simultaneamente, a Carteira de Trabalho Digital serve como canal para orientar o trabalhador sobre garantias legais e formas de denúncia.
Por fim, o governo estuda implementar uma plataforma pública para expor casos confirmados de assédio político e seus responsáveis, inspirando-se no formato utilizado na “lista suja” do trabalho análogo à escravidão.




