sábado, 31 de outubro de 2026
Brasil

Esquerda internacional adota modelo de canais digitais do Brasil

Estratégias de mobilização usadas na eleição brasileira inspiram ativistas na Argentina, França e Espanha.

Lideranças de esquerda no exterior criam canais digitais inspirados no ‘Exército do Lula’

Após a virada inédita de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) contra Flávio Bolsonaro (PL) na disputa presidencial no último domingo (25) em ao menos três países que se aproximam do período eleitoral foram criados “exércitos digitais” inspirados no canal de WhatsApp comandado pelo deputado eleito André Janones (Rede-MG), que capitaneou a mobilização da esquerda no segundo turno.

Expansão internacional das redes de apoio

As iniciativas estrangeiras reúnem centenas de milhares de adeptos em diferentes plataformas. Os grupos “Ejército del Peronismo”, na Argentina, “L’équipe de Mélenchon officielle”, na França e “La Fuerza de la Gente”, na Espanha, já somam mais de 270 mil seguidores. Seguindo o modelo implementado por Janones, essas comunidades transmitem avisos, missões e materiais prontos para disseminação e engajamento nas redes sociais.

Ações práticas e campanhas coordenadas

Na tarde desta sexta-feira (30) o canal de apoio ao peronismo e contra Javier Milei na Argentina publicou um vídeo e, em seguida, pediu: “publiquemos com tudo este vídeo nas redes sociais com a hashtag #mileiaprendacomlula”. A pauta abordava o veto às plataformas de apostas virtuais no Brasil e destacava o crescimento na aquisição de comida após a medida adotada pela gestão federal.

O caso francês e a repercussão europeia

O perfil da França repassou registros do político progressista Jean-Luc Mélenchon acompanhados das ordens “compartilhem em massa!” e “é preciso o máximo de comentários nesta publicação!”.

Antoine Léaument, chefe de comunicação do partido LFI (França Insubmissa), criado por Mélenchon, chegou a publicar um vídeo dirigindo-se aos brasileiros que entraram no grupo. O canal, que agora tem mais de 160 mil seguidores, tinha apenas 30 mil no início da tarde de terça-feira (27).

O avanço dessas ferramentas ocorre em um momento de proximidade com novas disputas pelo poder. Na Espanha, o presidente Pedro Sánchez antecipou as eleições para o dia 29 de novembro deste ano, em meio a derrota no parlamento e crise habitacional. Os franceses irão às urnas na próxima eleição presidencial, com o primeiro turno marcado para 18 de abril e o segundo turno em 2 de maio de 2027. O país passa por uma onda de protestos contra o alto custo de vida. Na Argentina, a legislação eleitoral define que a eleição deve ocorrer no próximo outubro.

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