sábado, 24 de outubro de 2026
Brasil

Lula e Flávio Bolsonaro debatem pela última vez antes do segundo turno

Encontro final foi marcado por quebra de sigilos, troca de acusações sobre infraestrutura e pedido de desculpas por ofensa pessoal.

Flávio e Lula se enfrentam em debate no último encontro antes da eleição

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro ficaram frente a frente nesta sexta-feira (23) no último debate presidencial antes do segundo turno da eleição, marcado para este domingo (25). Esta foi a segunda ocasião em que os concorrentes se encontraram cara a cara durante a campanha eleitoral, sendo a primeira na transmissão da Band/Jovem Pan. O evento ocorreu após ambos concordarem com a quebra de sigilo imediata, total e simultânea dos registros bancário, fiscal e telefônico, com publicação em site de acesso público. O ministro do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), André Mendonça, havia liberado a quebra dos dados bancários na quinta-feira (22), após ser sorteado relator do processo na terça-feira (20).

Primeiro bloco e propostas regionais

Na abertura, os candidatos apresentaram propostas para as regiões brasileiras, começando pelo setor de infraestrutura. Flávio Bolsonaro afirmou que o país virou um “cemitério de obras” devido à quantidade de 11.500 projetos paralisados. O petista rebateu o adversário ao dizer que ele conhece pouco o território nacional e que nenhum outro governo investiu tanto quanto a sua gestão atual.

“Com a participação de todos os governadores, inciamos program de mais de um trilhão, criando hidrovias, estradas e aeroportos”, declarou o atual mandatário, acrescentando que o senador apenas decora, mas não aprende.

Sobre o salário-mínimo e a tarifa zero nos transportes, Flávio criticou a proposta do governo e defendeu a gratuidade apenas aos finais de semana, além de prometer reajustamento da aposentadoria acima da inflação. Lula acusou o opositor de desconhecer a realidade brasileira e citou a crise de oxigênio no Amazonas. O presidente também sugeriu diversas vezes que o público checasse as informações do adversário no Google, provocando uma reação do senador:

“Quem governa o Brasil: você o o Google? Porque tudo você manda perguntar para o Google”, declarou.

Em relação ao Nordeste, Flávio afirmou que a região representa uma solução para o país e garantiu ser o candidato mais nordestino existente. Lula retrucou dizendo que o local é tratado com desdém e que deseja condições iguais para os nordestinos em relação ao restante do território.

Polêmicas, políticas públicas e pedido de desculpas

Durante o segundo bloco, Lula questionou o voto contrário de Flávio ao aumento da licença-maternidade de servidoras do Rio de Janeiro. O senador justificou que estava equivocado na época e mudou de perspectiva após o casamento e a paternidade. O petista também cobrou explicações sobre o apelido dado ao programa Bolsa Família, mas não obteve resposta.

O momento mais tenso ocorreu quando Lula rebateu o adversário após ser chamado de nove dedos, afirmando que perdeu o membro na adolescência e conhece a rotina de trabalho.

“Não vou permitir que um miliciano me chame de nove dedos”, disse Lula.

Em resposta ao mandatário, Flávio se desculpou pelo posicionamento.

“Se te onfendi porque te chamei e nove dedos, peço desculpas”, disse Flávio.

A declaração do senador aconteceu após ele arrancar risos ao afirmar que o petista “dá com uma mão e tira com nove dedos”.

Economia e segurança pública

O terceiro bloco abordou o endividamento do Brasil. Lula defendeu o programa Desenrola e criticou o impacto das apostas esportivas.

“Por isso tive a coragem de acabar com a bets, para ver se o dinheiro que a pessoa ganha sobra para que as pessoas vivam dignamente com a sua família”, disse Lula.

O presidente ainda questionou o parlamentar sobre a atuação na defesa do policial militar acusado de matar a jovem Ana Clara, cuja mãe acompanhava o evento na plateia como convidada da campanha petista.

Confronto direto e considerações finais

No último bloco de perguntas diretas, Lula levantou a questão sobre a ilha atribuída ao jogador Richarlison, afirmando que Flávio e o advogado Willer Tomaz teriam tomado a propriedade comprada por R$ 10 milhões. O senador respondeu que o bem nunca pertenceu ao atleta e que a questão já foi julgada. Os candidatos ainda debateram sobre recursos destinados ao filme sobre Jair Bolsonaro e trocaram críticas gerais.

Nas considerações finais, Lula pediu votos e alertou sobre o pleito:

“Tenho biografia e história e luta junto com vocês, comeceii a trabalhar com 12 anos de idade e virei presidente da República. Ou mantemos a democracia funcionando, ou teremos um milicinao governando o País”, disse Lula.

Por fim, Flávio prometeu combater milícias, resgatar a soberania nacional e assumiu compromissos com o eleitorado.

“O Brasil tem futuro”, disse Flávio

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