quinta-feira, 29 de outubro de 2026
Brasil

Dólar avança para R$ 5,38 com temor de investidores sobre ajuste fiscal

Declarações de ministros e indefinições na economia pressionam a moeda americana durante o pregão desta quinta-feira.

Dólar sobe a R$ 5,38 por incertezas da política fiscal no Lula 4

Após registrar perdas consecutivas nos dois pregões anteriores, período em que acumulou queda de 1,16%, a moeda norte-americana retomou o fôlego e fechou a R$ 5,3878 nesta quinta-feira (29), com valorização de 0,89%. O movimento de alta foi impulsionado tanto por um cenário externo desfavorável quanto pela cautela do mercado financeiro em relação aos rumos da economia brasileira.

Falas governamentais e impacto no câmbio

Analistas apontam que a desconfiança sobre o compromiso do governo com o equilíbrio das contas públicas pesou diretamente sobre o real, que registrou o segundo pior desempenho entre as moedas de maior liquidez no dia, superando apenas o peso mexicano. A alta semanal da divisa já alcança 7,90%.

“Vejo o mercado operando muito mais o quadro local que o externo nesta semana pós-eleição. O que todo mundo quer saber é como vai ser a política econômica e se vai ter ajuste fiscal”, afirma o gestor de portfólio da Azimut Brasil, Marcelo Bacelar. Diz também: “É natural o dólar estressar quando surgem declarações de pessoas próximas ao governo contra um ajuste, como vimos hoje [quinta-feira]”.

A tensão entre os investidores aumentou após manifestação do ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos, nas redes sociais. Na ocasião, o titular da pasta descartou cortes em investimentos sociais como estratégia para equilibrar as contas públicas. “O ‘tesouraço’ foi derrotado nas urnas e pela mobilização popular”, escreveu Boulos.

Oscilações e expectativas para a equipe econômica

Durante as negociações no início da tarde, a cotação chegou a atingir o pico de R$ 5,4290. No entanto, o ritmo de compras perdeu força na reta final do pregão após a circulação de notícias sobre possíveis nomes para a futura gestão ministerial, trazendo um breve alívio aos negócios.

O alívio parcial veio acompanhado de especulações sobre a formação da equipe de governo, embora persistam dúvidas sobre o patamar atual dos ativos e a atratividade para novos investimentos estrangeiros diante das incertezas fiscais e monetárias.

“Além da questão do ajuste, há expectativa pela indicação para as diretorias do Banco Central. Qualquer sinalização ruim se reflete no câmbio”, afirma Bacelar, ressaltando que o carry e os preços elevados do barril do petróleo ainda são barreiras que mitigam pressões sobre o real.

Cenário internacional e economia americana

Enquanto o mercado doméstico repercutia as incertezas políticas, o índice DXY — que mede o desempenho do dólar frente a uma cesta de seis moedas fortes — continuou a trajetória de baixa da véspera e rompeu a marca dos 102,000 pontos. O recuo ocorreu mesmo diante de indicadores econômicos robustos nos Estados Unidos.

O Produto Interno Bruto (PIB) americano apresentou expansão anualizada de 3,4% no terceiro trimestre, superando a projeção de 3,2%. Paralelamente, o índice de preços de gastos com consumo (PCE), principal referência de inflação monitorada pelo Federal Reserve, confirmou as expectativas ao situar-se acima de 3% no acumulado de 12 meses, em meio a debates sobre os próximos passos da taxa de juros nos Estados Unidos.

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