A diminuição drástica na frota de coletivos em Salvador motivou uma forte mobilização solidária entre os cidadãos. A crise no transporte público, que culminou na decisão da Justiça Eleitoral de decretar a prisão do secretário municipal de Mobilidade, Pablo Souza, levou voluntários a criarem um sistema alternativo para transportar eleitores aos locais de votação na capital baiana.
Rede de solidariedade no WhatsApp
Imagens de terminais e paradas completamente lotadas rapidamente tomaram conta das redes sociais neste domingo (25). Como resposta imediata à situação caótica, a população decidiu agir por conta própria para garantir que o direito ao voto pudesse ser exercido com segurança.
Logística e regras para os voluntários
Por volta das 13h, um grupo criado em um aplicativo de mensagens já contava com 1,2 mil participantes. O espaço virtual era utilizado intensamente para o compartilhamento de pedidos de socorro e o planejamento de rotas eficientes.
Prioridade no atendimento e segurança jurídica
Condutores que já haviam votado decidiram ir às ruas com seus próprios veículos, passando por paradas estratégicas para resgatar eleitores. Contando com o suporte legal do advogado Guilherme Moura, o projeto estabeleceu diretrizes rígidas: os motoristas deviam dar preferência a idosos e mulheres, transitar com os carros totalmente livres de propaganda política e abster-se de questionar sobre as preferências partidárias dos passageiros. Os avisos compartilhados no grupo também repassavam contatos oficiais do Ministério Público, da Justiça Eleitoral e da Defensoria Pública da Bahia para denúncias e orientações.
A articulação civil demonstrou a capacidade de resposta rápida da comunidade soteropolitana diante de um cenário de desabastecimento de transporte público em um dia decisivo para a democracia.



