sábado, 24 de outubro de 2026
Tecnologia

Dynacom: conheça a história e o fim da fabricante do Dynavision

A trajetória da marca nacional que marcou gerações com clones de videogames icónicos durante a época da reserva de mercado.

Que fim levou a Dynacom, marca brasileira do console Dynavision?

O mercado brasileiro de jogos eletrônicos possui uma trajetória singular, marcada por aparelhos exclusivos, lançamentos tardios e a pirataria constante. Além disso, algumas fabricantes atualmente esquecidas ou pouco lembradas geram tanta ou mais nostalgia do que as gigantes para várias gerações. Esse é o caso da Dynacom, empresa nacional que conquistou espaço relevante no setor com estratégias arriscadas e marcou época com a linha Dynavision.

Origens e a época dos clones no Brasil

Fundada por volta de 1981 em São Paulo, a Dynacom surgiu da sociedade entre Jerry Mayo, responsável pela área comercial, e Gabriel Almog, engenheiro e ex-gerente da CCE. Inicialmente focada em eletrônicos simples, a companhia entrou no setor de games produzindo cartuchos copiados do Atari 2600. Com a chegada da política de reserva de mercado, que proibia a importação de eletrônicos estrangeiros, diversas marcas nacionais passaram a ocupar esse espaço fabricando clones por meio de engenharia reversa.

O sucesso do Dynavision e a expansão

Lançado no início de 1984, o primeiro Dynavision era um clone do Atari 2600 que se destacou pela qualidade superior, melhorias no design, CPU mais potente e joysticks avançados chamados Dynastick. Em 1985, a marca tentou inovar com o MegaBoy, um controle portátil para cartuchos focado em jogos educativos. Com o fim da reserva de mercado em 1991, a empresa investiu em marketing pesado e lançou novas versões, como o Dynavision 3 e o Mega Vision, este último envolvido em um processo judicial com a TecToy.

Parceria com o SBT e declínio

Nos anos 2000, a Dynacom retornou aos holofotes ao fechar uma parceria com o SBT para oferecer seus consoles como prêmios em programas como o Bom Dia & Cia. Nessa época, a empresa apostava em aparelhos que rodavam jogos de NES com títulos na memória, enfrentando a concorrência de consoles mais potentes como o PlayStation 2. Sem verba e espaço no mercado, a fabricante parou de produzir hardware próprio em 2010 e licenciou a marca para a Ceder Eletrônica.

O encerramento das atividades

A parceria com a empresa de Manaus resultou no lançamento de portáteis e centrais multimídia de emulação, como o Cybergame, além de telefones e MP3 players. No entanto, diante de críticas sobre a qualidade dos produtos, o contrato foi anulado em 2011. Após uma queima de estoque, a companhia encerrou definitivamente as atividades de venda de eletrônicos, deixando saudades entre colecionadores e entusiastas do mercado retrô.

Escrito por

Deixe seu comentário