domingo, 8 de novembro de 2026
Franca

Inadimplência recua no Brasil, mas endividamento familiar atinge recorde

Quase 20% dos lares brasileiros comprometem mais da metade da renda mensal apenas com o pagamento de débitos pendentes

Inadimplência cai, mas as famílias gastam quase 30% do que ganham com as dívidas

O cenário financeiro dos lares brasileiros apresentou uma leve oscilação em setembro, período em que a parcela de consumidores com contas em atraso registrou recuo, embora o orçamento doméstico siga fortemente pressionado por compromissos financeiros antigos e novos.

Radiografia do endividamento nacional

De acordo com dados da Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), apurada pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), o índice de famílias com débitos atrasados passou de 29,9% em agosto para 29,6% no mês seguinte.

Apesar dessa discreta melhora no indicador de atrasos, o comprometimento médio da renda com obrigações financeiras avançou de 29,3% para 29,6%. Além disso, o tempo médio de espera para a quitação dessas pendências chegou a 65,3 dias, marcando o patamar mais elevado desde novembro de 2024.

O peso no orçamento das famílias

Outro indicador alarmante revela que 19,4% dos lares brasileiros direcionam mais da metade de seus ganhos mensais para a quitação de dívidas. Entre a população de menor renda, que recebe até três salários mínimos, o índice de inadimplência alcança 38,5%, demonstrando que a queda geral nos atrasos não representa folga financeira.

Para entender por que determinados compromissos cabem no bolso enquanto outros geram inadimplência, especialistas apontam que a análise não deve se basear apenas no montante devido. Fatores como o peso da parcela na renda total, os prazos estabelecidos, as taxas de juros e as obrigações já assumidas são determinantes.

“A combinação desses elementos pode determinar se uma obrigação continuará administrável ou se passará a comprometer o pagamento de outras contas”, diz Marco Afonso, especialista de negócios da Simplic.

Erros comuns ao contratar crédito

O equívoco mais frequente cometido pelos consumidores é analisar exclusivamente o valor da prestação isolada, desconsiderando o cenário completo das despesas fixas e variáveis da casa.

“Imagine uma família com renda mensal de R$ 2.500 e despesas essenciais de R$ 1.500. Se ela já destina R$ 500 a empréstimos e compras parceladas, restam R$ 500 para gastos variáveis e imprevistos. Ao assumir uma nova parcela de R$ 200, essa margem cai para R$ 300, e o orçamento fica vulnerável a qualquer despesa inesperada”, comenta o especialista.

Diante desse cenário de vulnerabilidade econômica, a recomendação para retomar o controle financeiro envolve o mapeamento rigoroso dos gastos essenciais, a listagem detalhada de todas as pendências e a busca por renegociações quando as parcelas superam a capacidade real de pagamento mensal.

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