A escalação inicial do Náutico na derrota por 3 a 0 para o CRB, realizada nos Aflitos pela 37ª rodada da Série B do Campeonato Brasileiro, gerou debates entre os torcedores. A principal dúvida foi a ausência de atletas do time sub-20 entre os titulares, mesmo com a permanência do clube na Segundona já assegurada e sem outras metas esportivas no torneio.
Manutenção da competitividade
Com a ausência de objetivos na reta final, a expectativa geral era de que a comissão técnica aproveitasse o confronto para dar minutos a promessas das categorias de base. No entanto, o comandante optou por escalar uma formação composta majoritariamente por jogadores que passaram a maior parte da temporada no banco de reservas.
Após a partida, o técnico Bruno Pivetti esclareceu os motivos de sua escolha e destacou a exigência de enfrentar um adversário que ainda lutava por objetivos na tabela. “Muito se fala sobre por que alguns jogadores não iniciaram. É importante lembrar que estávamos jogando contra uma equipe profissional, brigando pelo G-6. Não podíamos perder consistência competitiva. Tentamos aplicar maior solidez e, depois, oportunizar os jogadores da base”, afirmou Pivetti.
Férias antecipadas e planejamento
Durante a semana que antecedeu o duelo, a diretoria alvirrubra antecipou as férias de nove atletas que formavam a base da equipe titular ao longo do ano. Com essas baixas significativas, o treinador perdeu importantes pilares da estrutura tática que vinha utilizando nas rodadas anteriores.
O comandante esclareceu que a medida partiu da cúpula diretiva do clube e precisou ser acatada pela comissão técnica. – Decisão institucional você cumpre, não questiona. E não é uma atitude tão incomum. O que se fez foi uma antecipação do planejamento de 2026. É óbvio que a equipe perde um pouco da nossa força, porque os jogadores vinham atuando como titulares.
Cuidados com a base
Outro argumento utilizado pelo técnico foi a restrição numérica de jovens disponíveis. O clube contava com apenas seis atletas da categoria sub-20 devidamente inscritos para a competição, o que impedia uma reformulação drástica da equipe.
Segundo o treinador, lançar os garotos sem o devido cuidado poderia prejudicar a evolução deles no futebol profissional. – Uma coisa é oferecer oportunidade aos jogadores, mas essa oportunidade vem quando existe o devido preparo. Não adianta colocar todos de uma vez, porque a oportunidade passa a ser uma exposição, e não tem a devida análise para a sequência no clube -, declarou.
Além das dificuldades técnicas, o ambiente nos bastidores também pesou no desempenho dentro de campo. O elenco enfrenta grave crise financeira, com salários em atraso pela CLT e direitos de imagem acumulados, situação que gerou protestos públicos de atletas nas redes sociais antes mesmo do apito inicial.




