O Senado do Paraguai destituiu por unanimidade o presidente Santiago Peña nesta sexta-feira (6). Com a queda do antigo mandatário, o vice-presidente Pedro Alliana assumiu imediatamente o comando do poder Executivo no país vizinho.
Crise institucional e rito de impeachment
A decisão extrema do Congresso ocorreu logo após Peña tentar renunciar ao cargo por causa de uma grave crise bancária ligada ao Ueno Bank, instituição financeira com forte ligação com antigos sócios do ex-presidente. Os parlamentares optaram por ignorar o pedido de renúncia e prosseguir com o processo de impedimento.
Caso a renúncia tivesse sido aceita pelos congressistas, Peña teria o direito de assumir uma cadeira como senador vitalício, o que lhe garantiria imunidade parlamentar e participação nos debates, embora sem direito a voto. Como o impeachment foi concretizado, o ex-chefe de Estado perdeu essa proteção e agora pode responder a processos na Justiça.
No mesmo dia da votação no Congresso, o Ministério Público paraguaio decretou a prisão preventiva de Peña. Segundo apurações do jornal local ABC, os agentes cumpriram a ordem na residência do político em Assunção, onde ele permanecerá cumprindo prisão domiciliar.
Trajetória política de Pedro Alliana
Nascido em 19 de fevereiro de 1974, Pedro Alliana é filho dos ex-conselheiros departamentais Héctor Rubén Alliana Báez e María Nidia Rodríguez. Formou-se em relações internacionais pela Universidad Autónoma San Sebastián e teve passagem pelo esporte na juventude, tendo integrado a seleção paraguaia de basquete em 1991, além de atuar no comércio e na pecuária.
O novo presidente é casado com a deputada Fabiana María Souto, com quem tem três filhos, e possui uma filha de um relacionamento anterior. Sua trajetória na política começou em 2006, quando tentou a prefeitura de Pilar, sua cidade natal, sem sucesso.
Ascensão no cenário político paraguaio
Dois anos após a primeira tentativa nas urnas, Alliana venceu a disputa para governador do departamento de Ñeembucú em 2008. Em 2013, conquistou uma vaga na Câmara dos Deputados, sendo reeleito no pleito de 2018 e comandando a Casa Baixa durante seus dois mandatos até 2023.
Nas eleições gerais de 2023, compôs a chapa vitoriosa ao lado de Santiago Peña como candidato a vice-presidente. Em abril deste ano, ele já havia oficializado sua pré-candidatura ao Palacio de los López para as eleições presidenciais previstas para 2028.
Origem da instabilidade financeira
A derrocada do governo teve início quando milhares de cidadãos tomaram as ruas de Assunção na última terça-feira (3) para exigir a liberação de seus recursos retidos no Ueno Bank, considerado um dos principais bancos digitais do território paraguaio. O colapso aconteceu após a instituição ser declarada insolvente, sem recursos para cumprir suas obrigações financeiras.
O Banco Central do Paraguai bloqueou tanto os recursos públicos quanto as reservas financeiras de milhões de correntistas. Na quarta-feira (4), a autarquia suspendeu temporariamente os saques em fundos de investimentos associados ao banco, que prestava serviços para quase metade da população de 6,4 milhões de habitantes.
Como medida de alívio aos afetados, o órgão regulador anunciou a antecipação do pagamento do Fundo de Garantia de Depósitos aos correntistas, com limite de até 40 salários mínimos, deduzindo eventuais dívidas pendentes com a instituição financeira. Paralelamente, o Poder Judiciário emitiu mandados de prisão contra oito pessoas investigadas por participação na crise, incluindo o presidente do banco, Juan Manuel Gustale, e o diretor-executivo, Federico Miguel Vázquez.




