Em Taquaritinga, no interior de São Paulo, um Golden Retriever chamado Zeca transformou a rotina do Lar São Vicente de Paulo. O animal, que realiza visitas diárias à instituição, tornou-se uma fonte essencial de afeto para os residentes, que possuem idades entre 60 e 96 anos.
O impacto emocional das visitas
O convívio com o animal tem proporcionado momentos de descontração e alívio para quem vive no local. A presença do cão é celebrada por todos, desde os residentes que utilizam cadeiras de rodas até os funcionários da cozinha.
“Carinho e mais carinho para o Zeca, porque eu amo cachorro e eu gosto muito dele. Ele vem, ele anda por todos nós aqui, os cadeirantes, todo mundo faz carinho para ele, as cozinheiras. É um ‘love’ com o Zeca aqui. Muito bom, muito bom”, diz a aposentada Mercedes Rossi.
O morador Roberto Vanucci reforça a importância dessa interação para a saúde mental dos internos: “O asilo precisa de mais animais que vêm para ajudar os idosos, os doentes e os cadeirantes aqui”.
A trajetória de Zeca e sua tutora
Zeca chegou à vida de sua tutora, Andreia Nucci, há um ano e meio, preenchendo um vazio familiar após a saída dos filhos de casa. Com o tempo, Andreia percebeu que o carinho do cão poderia ir além do ambiente doméstico.
“No começo, eu não entendia o significado do cachorro. Mas, com o passar do tempo, eu fui vendo que era amor, que era companhia, que era rotina”.
Para garantir que o cachorro mantivesse uma rotina ativa, Andreia conta com a parceria do recepcionista Fábio Alessandro Valencio, que assumiu a tarefa de levar o animal para passear. A iniciativa nasceu após Fábio perder seu antigo cão, Dudu. “Zeca, por ser um cachorro de grande porte, precisa ter uma rotina diária, com cuidados. Então, a presença do Fábio, de levar para caminhar, para interagir, fez eu começar a perceber que esse amor poderia ser compartilhado em muitos lugares”, explica Andreia.
Um parceiro para a rotina
Para Fábio, a convivência com o Golden Retriever foi uma forma de superar a perda do seu pet anterior. “Ela falou ‘Fábio, dá para você pegar o Zeca, que você trabalha à noite, aí você faz a mesma coisa que você fazia com o seu’. Porque o meu chow-chow era muito dócil, andava com ele sem coleira, ele brincava com todo mundo. E deu certo de fazer o mesmo com o Zeca”.
Celebridade nas ruas de Taquaritinga
O carisma do animal não se restringe ao asilo. Zeca é figura conhecida em escolas, igrejas e estabelecimentos comerciais da cidade. Segundo Fábio, a facilidade de interação do cão permitiu que ele se tornasse um embaixador da alegria local.
“Fui sentindo esse carisma dele com as pessoas, com as crianças. Ele vai no recreio das crianças, vai na missa, vai na casa paroquial brincar com os padres. Senti o coração de levar ele também no asilo, então foi uma sintonia maravilhosa”.
Comerciantes também relatam o efeito positivo das passagens do cão. “Ele vem divertir nosso dia, alegra nosso dia. Todos os funcionários amam ele aqui, e os clientes também. Quando ele passa por aqui, os clientes ficam animados, passando a mão, já querem levar para casa”, afirma a consultora de vendas Naiara Martins Braz.
Estudos publicados na revista Psychology Today corroboram o que os moradores de Taquaritinga vivenciam na prática: a interação com pets ajuda a reduzir a solidão, melhora o humor e promove um ganho significativo no bem-estar emocional das pessoas.




